Senadores que se alinham ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) expressaram na terça-feira (13.ago.2024) sua demanda pela instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e um pedido de impeachment contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes. O motivo seria as investigações extraoficiais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre os seguidores de Bolsonaro.
Conforme mensagens e arquivos compartilhados entre Moraes, seus assistentes e outros membros da equipe via WhatsApp, revelou-se que o gabinete de Moraes solicitou ao menos 20 vezes a execução de relatórios de maneira extraoficial. A atuação ocorreu através do setor de combate à desinformação da Justiça Eleitoral.
Eduardo Girão (Novo-CE) confirmou em discurso no plenário que está reunindo assinaturas para solicitar o impeachment de Moraes. Girão planeja apresentar o requerimento logo após o Dia da Independência, em 7 de setembro. Ele declarou: 'É surreal o que estamos vendo no Brasil. Amanhã quero pedir à população que assista uma coletiva na frente da Presidência do Senado. Precisamos ler os pontos e começar uma super campanha de impeachment, um pedido robusto'.
Cleitinho (Republicanos-MG) defendeu que Moraes perseguia indevidamente, chamando por uma 'CPI da Vaza toga' em referência à Vaza Jato que revelou métodos impróprios ou ilegais que encerraram a operação Lava Jato. 'Deveria ter uma CPI da 'Vaza toga'. Agora, se tiver CPI também, já estou pronto aqui, como o Girão já me pediu para assinar aqui o impeachment do Moraes, porque, subindo no plenário aqui, o que estou fazendo, mostrando esse áudio aqui, parece que é perseguição', disse.
Apoiadores de Bolsonaro no Senado também protocolaram na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) pedidos para chamar o juiz instrutor do STF Airton Vieira, o ex-chefe de assessoria no TSE Eduardo Tagliaferro - que também participaram da troca de mensagens - e os jornalistas Fabio Serapião e Glenn Greenwald, autores do relatório.
Em contrapartida, o gabinete de Moraes informou que todos os procedimentos dos inquéritos das fake news e das milícias digitais foram 'oficiais, regulares e estão devidamente documentados' no tribunal, afirmando ainda que os relatórios apenas descreviam postagens ilícitas realizadas nas redes sociais, 'em virtude de estarem diretamente ligadas às investigações de milícias digitais'.
