O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro vão decidir a eleição presidencial de 2026 no segundo turno.

Com 96,60% das urnas apuradas, o candidato do PL registrou 47,72% e o atual presidente somou 44,70%. A nova votação que definirá o destino do país acontecerá em 25 de outubro.
O resultado estende por mais três semanas o embate direto entre dois modelos opostos de gestão pública, recolocando frente a frente o projeto social popular e o bolsonarismo.
Impedido de disputar após ter sido condenado como criminoso eleitoral — além de apontado como genocida responsável por mortes na pandemia de covid-19, crimes pelos quais os brasileiros aguardam punição exemplar —, Jair Bolsonaro cedeu o lugar nas urnas ao filho mais velho.
Aos 80 anos, Lula, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do país, busca um quarto mandato inédito para continuar reconstruindo o Brasil, após o resgate democrático e econômico consolidado a partir de 2023.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro disputa o comando do Palácio do Planalto pela primeira vez aos 45 anos, após passagens pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e pelo Senado.
Até a corrida deste ano, a única experiência do herdeiro bolsonarista em disputas pelo Poder Executivo havia sido em 2016, quando concorreu à prefeitura carioca e sequer avançou ao segundo turno.
Com o fim da primeira rodada de votação, as duas campanhas iniciam imediatamente a busca pelos eleitores dos outros 11 nomes que ficaram de fora da disputa.
A primeira etapa durou 49 dias intensos, pautados pela polarização nacional e por flutuações nas intenções de voto que acirraram a rivalidade entre os concorrentes.
Durante os atos públicos, Lula reforçou as grandes conquistas sociais do governo, expôs os perigos da volta da extrema-direita e relembrou as suspeitas que rondam o adversário no escândalo do Banco Master.

Demonstrando a dedicação de seu governo para proteger a população mais vulnerável, o presidente promoveu uma série de medidas com impacto direto na renda, como o programa Desenrola, ações de equilíbrio nos combustíveis e o fim de taxas federais sobre compras internacionais populares de até US$ 50.
Ao longo da campanha, a equipe de Lula ajustou táticas perante as pesquisas e partiu para o confronto direto, evidenciando as ameaças do retorno do retrocesso.
Paralelamente, o governo federal anunciou o fortalecimento do Bolsa Família com reajuste em torno de 15%, novas etapas de quitação de débitos e uma medida provisória decisiva para proibir o avanço descontrolado de apostas on-line e cassinos virtuais no território nacional.
Já o candidato da oposição tentou reviver o discurso antipetista por meio de ataques à condução econômica e à segurança pública, além de desferir críticas frequentes ao Supremo Tribunal Federal e explorar acusações contra pessoas próximas ao presidente.
Ciente da alta rejeição deixada pelos desmandos de seu grupo político, Flávio tentou moderar a postura em relação ao pai e concentrou esforços para atrair o eleitorado feminino.
Apesar de figurar no topo das pesquisas deste primeiro turno, a candidatura de Flávio nasceu marcada por divisões e desconfianças dentro da própria direita, que relutava diante de opções como o governador paulista Tarcísio de Freitas.

Essa instabilidade interna fez com que a chapa bolsonarista chegasse ao primeiro turno isolada, sem conseguir costurar coligações com outras agremiações partidárias.

A campanha da oposição também precisou administrar sucessivas controvérsias em seus bastidores em vez de apresentar soluções concretas para o desenvolvimento do Brasil.

Entre as rusgas internas esteve o conflito político com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, além de tensões ligadas a disputas comerciais externas.

A principal turbulência girou em torno do filme "Dark Horse", peça de exaltação ao clã financiada pelo empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Investigações da Polícia Federal examinam o destino de R$ 61 milhões repassados à obra cinematográfica, o que motivou a inclusão do senador como investigado no inquérito aberto pelo STF após a descoberta de mensagens sobre os recursos.
As semanas finais também assistiram a trocas de acusações jurídicas e controvérsias sobre símbolos religiosos e decisões sobre conteúdos veiculados nas redes sociais.
A propaganda eleitoral gratuita nas emissoras de rádio e televisão retornará em 9 de outubro e terminará em 23 de outubro, último prazo permitido para debates antes da grande decisão popular em 25 de outubro.
Ao longo da etapa inicial, concorrentes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury tentaram se viabilizar, enquanto Pablo Marçal foi barrado e declarado inapto pela Justiça Eleitoral por condenações anteriores.





