Em editoriais publicados nesta quarta-feira (25), O Globo e o Estadão criticaram a decisão do governo Luiz Inácio Lula da Silva de revogar a inclusão das hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização, atribuindo o recuo a protestos de povos indígenas.
Em editorial publicado nesta quarta-feira (25), o jornal O Globo afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuou da privatização no Programa Nacional de Desestatização as hidrovias nos rios Madeira, Tocantins e Tapajós. A razão, segundo o jornal, seria a "chantagem" sofrida pelo governo dos povos indígenas, que teria como objetivo "reduzir o desgaste à imagem do Planalto na base governista, especialmente no PSOL".
O texto considera "um erro o governo federal ter decidido revogar a concessão de hidrovias na Amazônia". Curiosamente, o jornal afirma que o governo teria cedido "à pressão descabida de lideranças indígenas que incluiu atos de vandalismo" e atribui aos povos indígenas a "invasão de propriedade privada".
O editorial lembra ainda que "representantes dos povos indígenas têm todo o direito de se opor a um decreto governamental e a expor suas reivindicações. Nada impede também que se discutam os termos do projeto. Isso é saudável para a sociedade".
No entanto, o texto alerta que "não é tolerável invadir propriedades e praticar vandalismo contra empresas essenciais para o êxito do pujante setor do agronegócio brasileiro. Está certa a Associação Brasileira de Terminais Portuários ao qualificar 'atos de violência contra uma empresa privada que não possui ingerência sobre a pauta apresentada' como improdutivos e prejudiciais ao 'legítimo espaço democrático de diálogo'. A aceitação da baderna só contribui para deteriorar o ambiente de negócios e afugentar investimentos do país".
Ao final, O Globo estabelece suas prioridades e aponta:
"Se a concessão de hidrovias na Amazônia é estratégica para escoar produção de grãos e minério, o governo tem obrigação de dar continuidade ao projeto. As comunidades indígenas merecem ser ouvidas, e suas ponderações devem ser levadas em conta. Mas há outros setores envolvidos, como o agronegócio, e suas reivindicações também precisam ser consideradas. Há que buscar um equilíbrio entre as demandas. Lula dá péssimo exemplo ao revogar o decreto sob chantagem. O recado é claro: basta partir para a violência que o governo cede", encerra.
O Estadão publicou texto no mesmo dia e na mesma linha:
"Bastaram a gritaria, episódios de violência e ataques a instalações privadas para que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidisse revogar o decreto que abria caminho para a concessão de hidrovias na Amazônia."
