A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin pretende ampliar o diálogo político no segundo turno. O objetivo é conquistar o apoio de lideranças e setores da sociedade que rejeitam o projeto representado por Flávio Bolsonaro, do PL.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, explicou a estratégia após o primeiro turno. "Nós vamos conversar com todas as lideranças que queiram construir um Brasil que não se entregue às milícias", afirmou Edinho.
A campanha buscará conversar com diferentes forças políticas, inclusive aquelas que adotaram outras posições na primeira etapa da eleição. "O segundo turno é uma outra eleição. Nós sabemos que é uma eleição de confronto direto de projetos", declarou Edinho após reunião da coordenação em Brasília.
A estratégia de Lula e Alckmin será destacar as diferenças entre os projetos que chegaram à votação decisiva. Edinho associa Flávio Bolsonaro a grupos milicianos do Rio de Janeiro e defende que o tema seja discutido no debate sobre segurança pública.
Quando era deputado estadual, Flávio concedeu uma homenagem ao ex-capitão da Polícia Militar Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado pelo Ministério Público como integrante de milícia. O gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio também empregou a mãe e a ex-mulher de Nóbrega.
Flávio afirma que Adriano era reconhecido por sua atuação policial e não enfrentava acusações na época em que recebeu a homenagem. A campanha de Lula, por sua vez, pretende colocar essas relações no centro do confronto político do segundo turno.
Edinho afirma que Lula representa um projeto "humanista", voltado às pessoas, à proteção da natureza e ao desenvolvimento sustentável. A campanha também destacará a soberania nacional, as políticas sociais, a geração de emprego e renda e a defesa das instituições democráticas.
A busca por alianças deverá alcançar setores além do campo tradicional da esquerda. Edinho já havia indicado que Lula e Alckmin pretendiam dialogar com partidos e lideranças de centro e de centro-direita.
A construção de uma frente mais ampla ganhou importância após o resultado apertado do primeiro turno. Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
A campanha também planeja mobilizar os eleitores que não compareceram às urnas e ampliar a participação direta do presidente. Lula pretende disputar os debates do segundo turno depois de não participar dos confrontos televisivos da primeira etapa.
Edinho reconheceu que a perda de credibilidade das instituições, especialmente do sistema político e do Judiciário, influenciou o ambiente eleitoral. Lula passou a defender mudanças institucionais e uma reforma do Judiciário, assunto que deverá integrar a campanha.
A nova etapa combinará a defesa das realizações do governo com a apresentação de propostas para os próximos anos. "Já que nós prestamos contas, nós queremos fazer o confronto de projeto", declarou Edinho.

