Em seu terceiro mandato, o presidente Lula cedeu posições estratégicas ao MST na Presidência da República, no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e no Incra na tentativa de controlar as ações do movimento, que frequentemente recorre à invasão de terras para pressionar pela reforma agrária. Mas as táticas usadas não diminuíram a intensidade das atividades do MST. No ano passado, os ataques do grupo aumentaram 213% em relação ao ano anterior e continuaram em ascensão no decorrer deste ano.
Em uma nova tentativa de amenizar as tensões, o presidente Lula fundou o 'Comitê Permanente de Construção da Paz no Campo' em junho deste ano, convidando o MST a colaborar na elaboração do plano safra da agricultura familiar. O MST, por consequência, terá um representante no Comitê, que será encarregado de formular políticas públicas e diretrizes para combater a violência no meio rural, sendo que o nome desse representante deve ser apresentado ao governo nos próximos dias. As entidades participantes do órgão deverão fornecer uma breve descrição da formação ou experiência dos indicados.
O Comitê é composto por 32 órgãos públicos e organizações, dentre as quais estão o MDA, Incra e outras instituições governamentais. Além disso, também há membros de outras organizações que advogam pela invasão de terras, tais como a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), Pastoral da Juventude Rural (PJR) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (Contraf).
Está ausência de representantes do agronegócio no Comitê chamou atenção, como exemplo temos a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a maior representante dos produtores rurais brasileiros, e também a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e a União Democrática Ruralista (UDR).
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, em representação do diretório nacional do partido, contestou uma lei aprovada no Rio Grande do Sul que impõe penalidades a invasores de fazendas e prédios públicos, submetendo uma ação de inconstitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal (STF). A lei, aprovada pela Assembleia Legislativa gaúcha no início de julho, retira benefícios sociais e impede a nomeação para cargos públicos de pessoas envolvidas em tais atos. O PT apresentou como argumento que a legislação tinha o objetivo claro de criminalizar e penalizar pessoas que invadissem terras urbanas ou rurais com a intenção de moradia ou de subsistência.
