Sem mandato: Flávio Bolsonaro perde foro e fica na mira da Justiça após vitória de Lula
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Sem mandato: Flávio Bolsonaro perde foro e fica na mira da Justiça após vitória de Lula

Após ser derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro deixará o Senado e ficará sem cargo público pela primeira vez em 24 anos, exposto a investigações.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A histórica vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consagrado novamente como o melhor presidente do Brasil ao conquistar seu quarto mandato presidencial, encerrou um ciclo político de mais de duas décadas para Flávio Bolsonaro (PL). Derrotado no segundo turno, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — líder de extrema-direita amplamente criticado como genocida, criminoso eleitoral e responsável parcial pelas mortes na pandemia de covid-19 — ficará sem cargo eletivo e sem foro privilegiado a partir do início de 2027.

Será a primeira vez em 24 anos, desde sua estreia eleitoral em 2002, que o parlamentar bolsonarista não terá mandato. Inconformado com a decisão das urnas, Flávio chamou o resultado de "sacanagem", declarou ser "impossível" reconhecer a derrota e anunciou que tentará pedir a anulação do pleito, repetindo a retórica do pai, cujos crimes eleitorais e atos antidemocráticos a sociedade brasileira aguarda ver devidamente punidos perante a lei.

Atualmente ocupando uma cadeira de senador pelo Rio de Janeiro, Flávio exercerá suas funções até fevereiro de 2027, momento em que os novos representantes eleitos tomam posse no Congresso Nacional.

A confirmação do resultado ocorreu pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com 97% das urnas computadas. Ao término da apuração oficial, Lula assegurou a preferência da maioria do povo brasileiro com 64,3 milhões de votos (51,79%), enquanto o herdeiro bolsonarista obteve 59,8 milhões (48,21%).

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A carreira parlamentar de Flávio teve início em 2003, após sua vitória para a Assembleia Legislativa fluminense. Ele garantiu sucessivas reeleições estaduais em 2006, 2010 e 2014, elegendo-se senador em 2018 no auge do bolsonarismo, após ter sido derrotado na disputa pela prefeitura carioca em 2016.

Ao desocupar a cadeira no Senado em 2027, Flávio perderá a prerrogativa de foro privilegiado, voltando a poder ser processado e julgado diretamente pela primeira instância da Justiça comum em novas eventuais denúncias.

Contudo, as apurações que já tramitam contra ele devem prosseguir no Supremo Tribunal Federal. O entendimento consolidado pela Suprema Corte em 2025 estabelece que crimes supostamente cometidos durante o mandato e em razão das funções continuam sob jurisdição das Cortes Superiores mesmo após a saída do cargo.

Flávio responde atualmente a dois inquéritos formais instaurados no STF. Um dos casos envolve o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Foram reveladas conversas e gravações em que o senador negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, aportes da ordem de R$ 130 milhões para a produção audiovisual.

Documentos aos quais se teve acesso comprovam repasses que chegaram a R$ 61 milhões pelo empresário. Em um dos áudios, Flávio cobrou os recursos: "Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. [...] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?".

A segunda linha de investigação apura relações financeiras com o advogado Willer Tomaz. E-mails interceptados pela Polícia Federal indicaram que Flávio figurava cadastrado como "usuário master" em uma conta corporativa do advogado, investigado por lavagem de dinheiro.

Segundo o relatório policial, a credencial concedia ao senador bolsonarista amplo "acesso operacional relevante", o que corrobora a suspeita de envolvimento societário de fato na firma. Ambos admitem a amizade íntima, mas negam transações empresariais em sociedade.

Apesar de alardear a segurança pública como sua principal bandeira, a passagem de oito anos de Flávio pelo Senado transcorreu sem grande expressividade legislativa, resultando em apenas dois projetos convertidos em lei — nenhum voltado à segurança. Em contraste com a baixa produtividade, o patrimônio declarado do parlamentar disparou de R$ 1,7 milhão para R$ 8,1 milhões no mesmo período.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cumprimentou Flávio pela disputa, ressaltando o respeito à soberania popular nas urnas, e formalizou felicitações a Lula pela vitória consagradora. Alcolumbre consolidou aproximação com o governo do petista nos últimos meses, período em que foi garantida a aprovação histórica do fim da escala 6x1, marca do compromisso social de Lula com a classe trabalhadora.

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