Mensagens expõem festa secreta de Vorcaro
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Mensagens expõem festa secreta de Vorcaro

Conversas apreendidas pela Polícia Federal descrevem uma recepção de luxo, a contratação de acompanhantes e a suposta presença de um integrante do STF.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Um conjunto de 125 mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, detalha uma festa realizada em seu tríplex no Itaim Bibi, em São Paulo. Em um dos relatos, um funcionário afirmou que estava "pessoal tudo pelado na piscina". Ele também informou que uma das mulheres presentes havia vomitado.

As conversas indicam que o encontro ocorreu em 28 de fevereiro e foi organizado para receber autoridades. Vorcaro mobilizou dois motoristas, um chef de cozinha, o mordomo da residência, uma agenciadora de garotas de programa, uma profissional de limpeza e um arquiteto.

Os gastos com alimentos e funcionários chegaram a cerca de R$ 27 mil, sem contar pagamentos paralelos relacionados às acompanhantes. O material aponta que a recepção fazia parte de uma série de eventos promovidos por Vorcaro antes do Carnaval.

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Segundo as mensagens e as investigações em andamento, o empresário buscava formar uma rede de relacionamentos e trocar favores com pessoas influentes dos meios político e jurídico. Para o Carnaval, ele reservou um andar inteiro de um camarote na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, por cerca de R$ 40 milhões.

Vorcaro também custeou recepções no Parque Lage e em um casarão no bairro de Santa Teresa. Antes da programação no Rio, ele organizou o encontro reservado em seu apartamento na capital paulista.

A logística incluiu hospedagem para convidados e a compra de produtos para um churrasco. O chef contratado gastou R$ 1.772 em uma casa de carnes nobres e R$ 15.100 em cinco latas de caviar, além de adquirir trufas importadas.

O valor total dos alimentos chegou a R$ 21.121,90. Vorcaro também ordenou mudanças na disposição dos móveis, a instalação de climatização e ajustes na entrada do apartamento para a chegada dos convidados.

Os participantes começaram a chegar no início da tarde. Mensagens mostram motoristas confirmando a entrada de mulheres contratadas por intermédio de uma agenciadora de acompanhantes. A orientação foi permitir que todas subissem diretamente ao apartamento.

Vorcaro também orientou o recebimento de convidados que chegaram em um Ford Fusion preto. Em conversa com um de seus diretores jurídicos, o empresário afirmou que realizava tratativas para agradar a um magistrado em São Paulo.

O mordomo da residência, identificado como Michael, manteve contato com Vorcaro durante a festa. Por volta das 20h56, ele informou ter liberado uma acomodação privativa para um integrante do Judiciário acompanhado de cinco mulheres. A equipe teria orientado que celulares não fossem usados no local.

Às 22h08, o funcionário relatou que os participantes estavam sem roupa na área da piscina. Também disse que uma das mulheres havia passado mal e vomitado, mas que já estava recuperada. Outras mensagens indicaram que o principal convidado pretendia continuar no apartamento por tempo indeterminado.

A recepção terminou perto da meia-noite. Imagens enviadas depois da saída do grupo mostraram o estado dos cômodos e objetos pessoais esquecidos. A equipe ainda organizou o local para dispensar o serviço de limpeza previsto para a manhã seguinte.

Enquanto acompanhava a festa, Vorcaro também lidava com uma crise de liquidez no Banco Master. Na mesma noite, ele conversou com executivos e ex-integrantes do setor bancário sobre o descumprimento de metas do depósito compulsório junto ao Banco Central. Os saldos negativos ultrapassavam R$ 1,2 bilhão.

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, foi procurado para esclarecer a citação de seu nome e a suposta presença no encontro. Em nota, ele negou envolvimento com Vorcaro e participação em eventos promovidos pelo empresário.

"O ministro Kassio Nunes Marques nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro. O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele e não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros."

O material apreendido continua sob análise das autoridades responsáveis pelas investigações relacionadas às operações do Banco Master.

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