A Polícia Federal deflagrou a Operação Cliente Fantasma para desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro a partir do sistema financeiro. O alvo central é o Banco BMP (antiga BMP Money Plus), na avenida Paulista, suspeito de movimentar R$ 25 bilhões ligados ao financiamento de organizações criminosas.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo e Barueri, por ordem da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. As diligências alcançaram a sede do banco e os endereços do presidente da instituição e do diretor responsável pela área de conformidade.
Segundo as investigações, o núcleo do esquema operava com manutenção de contas e transações em larga escala sem a devida identificação dos titulares, quebrando a rastreabilidade dos valores e dificultando a ação das autoridades.
Em nota, a PF detalhou o modus operandi: "Na prática, esses usuários permaneciam 'invisíveis' aos órgãos de controle, funcionando como verdadeiros fantasmas dentro do sistema financeiro, o que possibilitava a movimentação bilionária de valores ilícitos sem fiscalização", informou a corporação.
Os investigadores apontam falhas deliberadas e sistêmicas nos mecanismos de controle do BMP. O banco é acusado de omitir comunicações obrigatórias ao Coaf, o que teria ampliado o risco de operações atípicas sem o devido escrutínio.
Ao reter alertas, a instituição blindava seus usuários contra investigações, inviabilizando bloqueios judiciais e o mapeamento de beneficiários finais. Os alvos devem responder por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de capitais e omissão de informações.
A ofensiva é desdobramento de frentes que miram redes sofisticadas do crime organizado. O inquérito se conecta à Operação Alcaçaria, de 2024, que desarticulou lavagem por criptoativos e evasão de divisas, e incorporou relatórios de inteligência compartilhados pela Receita Federal.
Com a apreensão de documentos e dispositivos eletrônicos, a investigação entra na fase de cruzamento de dados. O foco é reconstruir trilhas financeiras para identificar a identidade real dos "clientes invisíveis" e o destino final dos recursos.
A expectativa é de avanço rápido na responsabilização, com punição exemplar aos envolvidos, em linha com a cobrança da sociedade por um sistema financeiro blindado contra o crime organizado.
