Anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a chapa no Distrito Federal condicionam o apoio à vice-governadora Celina Leão (PP) à decisão do governador Ibaneis Rocha (MDB) sobre disputar o Senado, abrindo novo ponto de tensão com Michelle Bolsonaro (PL).
Nos registros de reuniões na sede do PL, o plano previa Celina ao governo e duas candidaturas do partido ao Senado, com Michelle e a deputada Bia Kicis (PL). Ao lado, o senador anotou que, caso Ibaneis entre na disputa, "não dá para oficializar" a composição.
A ressalva indica que a direção nacional mantém margem para reavaliar o palanque na capital, mesmo com a proximidade entre Michelle e a vice-governadora.
Aliada de Celina e interlocutora frequente do grupo local, Michelle contava com a consolidação antecipada do arranjo. A possível revisão contraria essa expectativa e sinaliza que o comando nacional prefere aguardar o desfecho do movimento de Ibaneis antes de fechar a engenharia eleitoral.
Ibaneis tenta viabilizar candidatura ao Senado em meio ao desgaste provocado pela crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Ele defende a construção de um palanque único no DF e busca apoio para sua pretensão.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, já sinalizou apoio, para o Senado, à dobradinha do PL representada por Michelle e Bia Kicis.
O impasse ocorre em meio a ruídos públicos no campo bolsonarista. Nos últimos dias, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro cobrou maior engajamento de Michelle e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) na campanha presidencial de Flávio. Após visitar o pai na Papudinha, o senador adotou tom conciliador e disse que pretende conversar diretamente com a ex-primeira-dama para superar as divergências.
— Nós somos adultos, vamos conversar. Vou procurar todo mundo, como sempre fiz — disse Flávio, acrescentando que todos estariam "na mesma página".
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou recentemente não ter dúvidas de que Michelle estará no palanque do senador, minimizando a hipótese de racha interno. Ainda assim, o teor das anotações sugere que, no plano estadual, as definições seguem condicionadas a fatores locais e não estão blindadas por alinhamentos pessoais.
Procuradas, Michelle e Celina Leão não quiseram comentar o teor das anotações. Flávio disse que os registros refletem sugestões e avaliações feitas durante reuniões partidárias e não necessariamente posições definitivas.
