Danilo Morgado, candidato a deputado estadual por São Paulo e preso sob suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), recebeu 9.145 votos nas eleições de 2026. O resultado foi suficiente para colocá-lo como suplente do Partido Liberal (PL) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Morgado está preso desde 17 de setembro. Mesmo assim, seu perfil em uma rede social continuou publicando material de campanha. No domingo, 4 de outubro, dia da votação, a página divulgou um vídeo da mãe do candidato indo a uma urna eleitoral.
Ao responder ao comentário de uma seguidora, o perfil afirmou que os votos continuariam válidos porque Morgado não foi condenado pela Justiça. A publicação também demonstrou expectativa de que ele seria solto "ainda essa semana".
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi questionado sobre a situação eleitoral do candidato, mas não havia respondido até a publicação da reportagem original.
Na quinta-feira, 1º de outubro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um habeas corpus apresentado pela defesa de Morgado para tentar revogar a prisão temporária.

"A decisão reclamada está, portanto, suficientemente fundamentada e preenche os requisitos cumulativos estabelecidos por esta Corte no paradigma apontado. A reclamação constitucional não pode ser utilizada como sucedâneo recursal, para revisitar os critérios de prisão decretados na origem", considerou o ministro.

Morgado foi preso durante a Operação Vectura Corrupta, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A prisão é temporária e tem prazo de 30 dias.

As investigações apontam que o candidato teria ligação com o núcleo político do PCC. A suspeita é de que sua campanha à Prefeitura de Praia Grande, no litoral paulista, em 2024, tenha sido financiada pela facção criminosa.
A mesma operação prendeu o ex-vereador e presidente do União Brasil em São Paulo, Milton Leite, além de outros dez alvos. Quatro pessoas estavam foragidas.
A ação é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024. Essa investigação identificou uma possível integração entre o PCC, uma empresa financeira e políticos da Grande São Paulo e do litoral sul paulista.
A polícia também identificou o envolvimento da facção com o transporte coletivo de passageiros na capital e no interior de São Paulo, além do financiamento direto de campanhas políticas municipais em 2024.
Em nota, a defesa de Morgado afirmou que o recurso apresentado ao STF contestava a decretação da prisão temporária. Segundo os advogados, a medida seria incompatível com requisitos estabelecidos pelo próprio tribunal no julgamento das ADIs nº 3.360 e 4.109.
"A reclamação foi julgada improcedente por decisão monocrática. A defesa mantém o entendimento de que a prisão temporária é irregular e adotará o recurso cabível para submeter a matéria à apreciação do órgão colegiado", destacaram os advogados João Paulo Silva Rocha e Marcelo Viela Fernandez.

Quanto às suspeita frutos da investigação, "os elementos apresentados até o momento procuram atribuir a Danilo condutas supostamente praticadas por terceiros, inclusive mediante a supostas referências a fatos pretéritos dos quais ele não participou".
Os advogados afirmam que a investigação não apontou vínculo direto entre Morgado e as referências ao crime organizado e ao tráfico de drogas. A defesa também diz que não foi identificado elemento objetivo que demonstre o recebimento de recursos ilícitos, vantagem financeira, favorecimento indevido ou benefício relacionado à campanha eleitoral de 2024.
"A defesa seguirá adotando, de maneira técnica e responsável, todas as medidas jurídicas cabíveis para o esclarecimento dos fatos e para que a situação individual de Danilo seja examinada com respeito ao devido processo legal, ao direito de defesa e à presunção de inocência", finalizou a nota.

