Preso sob suspeita de elo com PCC recebe mais de 9 mil votos
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📅 06/10/2026

Preso sob suspeita de elo com PCC recebe mais de 9 mil votos

Danilo Morgado obteve 9.145 votos para deputado estadual e alcançou votação suficiente para se tornar suplente do PL na Alesp.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Danilo Morgado, candidato a deputado estadual por São Paulo e preso sob suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), recebeu 9.145 votos nas eleições de 2026. O resultado foi suficiente para colocá-lo como suplente do Partido Liberal (PL) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

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Morgado está preso desde 17 de setembro. Mesmo assim, seu perfil em uma rede social continuou publicando material de campanha. No domingo, 4 de outubro, dia da votação, a página divulgou um vídeo da mãe do candidato indo a uma urna eleitoral.

Ao responder ao comentário de uma seguidora, o perfil afirmou que os votos continuariam válidos porque Morgado não foi condenado pela Justiça. A publicação também demonstrou expectativa de que ele seria solto "ainda essa semana".

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi questionado sobre a situação eleitoral do candidato, mas não havia respondido até a publicação da reportagem original.

Na quinta-feira, 1º de outubro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um habeas corpus apresentado pela defesa de Morgado para tentar revogar a prisão temporária.

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"A decisão reclamada está, portanto, suficientemente fundamentada e preenche os requisitos cumulativos estabelecidos por esta Corte no paradigma apontado. A reclamação constitucional não pode ser utilizada como sucedâneo recursal, para revisitar os critérios de prisão decretados na origem", considerou o ministro.

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Morgado foi preso durante a Operação Vectura Corrupta, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A prisão é temporária e tem prazo de 30 dias.

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As investigações apontam que o candidato teria ligação com o núcleo político do PCC. A suspeita é de que sua campanha à Prefeitura de Praia Grande, no litoral paulista, em 2024, tenha sido financiada pela facção criminosa.

A mesma operação prendeu o ex-vereador e presidente do União Brasil em São Paulo, Milton Leite, além de outros dez alvos. Quatro pessoas estavam foragidas.

A ação é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024. Essa investigação identificou uma possível integração entre o PCC, uma empresa financeira e políticos da Grande São Paulo e do litoral sul paulista.

A polícia também identificou o envolvimento da facção com o transporte coletivo de passageiros na capital e no interior de São Paulo, além do financiamento direto de campanhas políticas municipais em 2024.

Em nota, a defesa de Morgado afirmou que o recurso apresentado ao STF contestava a decretação da prisão temporária. Segundo os advogados, a medida seria incompatível com requisitos estabelecidos pelo próprio tribunal no julgamento das ADIs nº 3.360 e 4.109.

"A reclamação foi julgada improcedente por decisão monocrática. A defesa mantém o entendimento de que a prisão temporária é irregular e adotará o recurso cabível para submeter a matéria à apreciação do órgão colegiado", destacaram os advogados João Paulo Silva Rocha e Marcelo Viela Fernandez.

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Quanto às suspeita frutos da investigação, "os elementos apresentados até o momento procuram atribuir a Danilo condutas supostamente praticadas por terceiros, inclusive mediante a supostas referências a fatos pretéritos dos quais ele não participou".

Os advogados afirmam que a investigação não apontou vínculo direto entre Morgado e as referências ao crime organizado e ao tráfico de drogas. A defesa também diz que não foi identificado elemento objetivo que demonstre o recebimento de recursos ilícitos, vantagem financeira, favorecimento indevido ou benefício relacionado à campanha eleitoral de 2024.

"A defesa seguirá adotando, de maneira técnica e responsável, todas as medidas jurídicas cabíveis para o esclarecimento dos fatos e para que a situação individual de Danilo seja examinada com respeito ao devido processo legal, ao direito de defesa e à presunção de inocência", finalizou a nota.

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Publicado em 6 de outubro de 2026 às 16:45

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