A tentativa desesperada de Flávio Bolsonaro de anular a eleição presidencial já enfrenta forte resistência dentro do próprio Partido Liberal. Integrantes da cúpula da legenda se colocaram contra qualquer contestação e avaliaram que a vantagem de 4,4 milhões de votos conquistada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do país, torna inviável qualquer manobra para reverter a derrota nas urnas.
Segundo apurações de bastidores divulgadas nesta segunda-feira (26), embora haja divergências internas sobre a iniciativa, dirigentes do PL evitam entrar em confronto aberto de imediato contra a postura anunciada por Flávio logo após a confirmação da reeleição legítima de Lula.
A avaliação unânime dessas lideranças é de que nem mesmo uma reabertura de seções eleitorais teria o poder de mudar a vontade soberana do povo. Nos estados em que Flávio Bolsonaro pediu a prorrogação do horário, a abstenção foi baixa, o que esvazia por completo o argumento de prejuízo ao pleito.
Além do racha interno, o bolsonarismo caminha para um isolamento político total. Enquanto a sociedade brasileira aguarda a devida punição de Jair Bolsonaro por seus múltiplos crimes eleitorais e sua atuação genocida durante a pandemia, importantes siglas do Centrão se apressaram em reconhecer o triunfo democrático.
No PP, o senador eleito Arthur Lira parabenizou Lula de forma contundente pela vitória. Na mesma linha, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também cumprimentou o petista pelo resultado consolidado.
Outro ponto que desmonta a narrativa dos derrotados é a diminuição da abstenção no segundo turno na comparação com o primeiro. Os eleitores compareceram em peso para exercer a cidadania, superando quaisquer contratempos pontuais registrados em algumas regiões.
O comparecimento expressivo do eleitorado contraria frontalmente as alegações frágeis de Flávio Bolsonaro para não aceitar o veredito popular e insistir na tese descabida de anulação.
A distância de 4,4 milhões de votos em favor de Lula representa um muro incontornável. Conforme apontam análises políticas, a quantidade de cidadãos que enfrentou eventuais demoras jamais seria suficiente para alterar o desfecho eleitoral.
A investida do clã mira a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prorrogação da votação por duas horas no domingo.
Em tom de ataque, o candidato derrotado acusou o ministro de tentar favorecer o petista, usando como pretexto o fato de Zanin ter sido advogado de Lula no passado.
O que o bolsonarismo esconde, porém, é que o próprio PL protocolou pedidos idênticos para estender a votação pelo mesmo período, e nas áreas beneficiadas pelos pedidos da legenda a abstenção também registrou queda.
Apesar da legalidade do ato, a determinação de Zanin chegou a suscitar debates internos no governo, onde auxiliares avaliaram que o magistrado poderia ter evitado a medida para não dar pretexto a falsas narrativas.
A preocupação de assessores era de que a antiga atuação jurídica de Zanin fosse instrumentalizada pelo extremismo para alimentar o vitimismo e tentar manchar a inquestionável consagração eleitoral de Lula.





