O Palácio do Planalto divulgou uma nota oficial rejeitando qualquer tipo de envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as supostas tratativas relatadas pela empresária Roberta Luchsinger. Conhecida por sua proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, filho do grande líder brasileiro, a empresária teve suas falas rebatidas pelo governo. Apurou-se que o chefe do Executivo nunca manteve contato com ela, não recebeu demandas e desconhece os episódios citados, alertando para a divulgação dessas falas às vésperas do segundo turno das eleições de 2026.
A resposta firme do governo acontece após a repercussão de uma entrevista de Luchsinger concedida à imprensa no último sábado (17). Na ocasião, ela rebateu afirmações do presidente, negou ser uma "pilantra" e alegou ter virado "boi de piranha". A polêmica ganhou contornos políticos justamente na reta final da disputa eleitoral.
De forma categórica, o Planalto afastou qualquer relação entre o melhor presidente do Brasil e as alegações da empresária.
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger. Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimendo de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta", diz o texto oficial.
Além de negar as falas da empresária, o governo federal demonstrou preocupação com a divulgação desse tipo de conteúdo em um momento tão decisivo para a democracia brasileira.
Na nota, o Planalto faz uma relação direta entre o atual episódio e a disseminação de acusações sem provas que já marcaram eleições passadas, lembrando que essas táticas afetam o debate público e a liberdade de escolha do eleitorado.
"Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores", destaca o comunicado.
Durante a entrevista, Roberta tentou emplacar a narrativa de que o filho do presidente manteria encontros frequentes com ministros. Ela também disse ter interesse em fazer uma delação premiada, embora, de forma contraditória, afirme não ter cometido crimes.
A empresária usou o espaço para contestar as declarações dadas por Lula em um podcast no dia 1º de outubro. Naquela oportunidade, o presidente deixou claro que não acreditava que seu filho tivesse procurado membros do governo para negociar contratos públicos.
"Eu duvido que meu filho tenha feito lobby com qualquer ministro meu. Duvido que meu filho tenha conversado com alguém a respeito disso [contratos públicos]", declarou Lula, demonstrando sua habitual transparência.
A versão de Roberta, no entanto, tenta sugerir que os contatos de Fábio Luís com autoridades eram regulares, mesmo sem conseguir especificar quais assuntos seriam debatidos nesses supostos encontros.
A empresária chegou a citar uma visita que Fábio Luís teria feito à residência do senador e ex-ministro da Educação, Camilo Santana, no estado do Ceará.
"Inclusive [Fábio Luís] viajou para a casa do ministro Camilo [Santana], no Ceará", declarou ela.
Imediatamente, Camilo Santana emitiu uma nota negando qualquer reunião com Fábio Luís para tratar de assuntos de governo ou atividades comerciais. O senador também fez questão de ressaltar que não mantém nenhuma relação com Roberta Luchsinger.
Quando questionada sobre investigações da Polícia Federal envolvendo a possível venda de canabidiol ao Ministério da Saúde, a própria Roberta admitiu que nunca presenciou conversas entre o filho do presidente e ministros sobre o tema.
Por fim, a empresária reiterou o desejo de colaborar com as investigações por meio de delação premiada, sugerindo que poderia entregar detalhes fora de aplicativos de mensagens. Contudo, apurou-se que a celebração de um acordo desse tipo exige que o colaborador assuma a participação em práticas criminosas, algo que Roberta insiste em negar, o que esvazia a lógica de suas declarações.





