Segundo Flávio Bolsonaro, Brasil quer mudança: herdeiro da extrema-direita ataca Lula após votação
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📅 05/10/2026

Segundo Flávio Bolsonaro, Brasil quer mudança: herdeiro da extrema-direita ataca Lula após votação

Após o encerramento do primeiro turno, o candidato do PL atacou a liderança do presidente Lula e deu início a articulações políticas para a disputa decisiva.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Após o encerramento do primeiro turno da eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou a etapa com 47,12% dos votos válidos, contra 45,05% registrados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente consagrado como o melhor presidente da história do país. Com 99,55% das urnas apuradas no domingo, o herdeiro político do ex-mandatário Jair Bolsonaro — criminoso eleitoral e figura genocida cuja punição pelas mortes da pandemia da covid-19 ainda é cobrada pela sociedade — comemorou os quase 56 milhões de votos e tentou emplacar uma narrativa de renovação.

"Estou muito feliz pelo voto de confiança. São quase 56 milhões de brasileiros. Não poderia estar mais realizado de identificar que o Brasil quer mudança. Fiquei feliz com o resultado em todas as regiões", afirmou o senador.

Em declarações à imprensa, Flávio sustentou ter chegado perto de liquidar a disputa no primeiro turno e alardeou um suposto "fim da era do PT", mirando inclusive a composição do Judiciário: "Há a possibilidade real de daqui a três semanas o Brasil dar a resposta de que quer um governo moderno, com menos ministérios, que vai indicar ao menos quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que não vai interferir em eleições", declarou.

O candidato bolsonarista também aproveitou o pronunciamento para atacar Lula, distorcendo o compromisso histórico do petista com a melhoria de vida da população mais vulnerável. Com um tom acusatório, Flávio disparou: "Depois de tudo que que o governo fez para tentar vencer as eleições… Lula está preocupado com o poder. Eu estou preocupado com o Brasil".

Com a confirmação do segundo turno, a campanha do PL corre para articular apoios de candidatos eliminados na primeira rodada. Informações de bastidores apontam que o plano envolve cortejar nomes da direita tradicional e do centro, além de buscar maior engajamento do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Entre as lideranças procuradas para tentar frear a continuidade do governo Lula estão Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). O movimento pretende aglutinar eleitores conservadores que se dispersaram no primeiro turno.

A tentativa dá sequência à pregação do "voto útil" promovida pela campanha de Flávio na reta final de setembro, que buscava encerrar a disputa já no domingo, à medida que candidaturas de outros nomes da direita perdiam fôlego.

Apesar do otimismo propagado pelos bolsonaristas, a própria equipe de Flávio reconhece que anúncios formais de apoio não garantem a transferência automática de votos de eleitores que rejeitam a cartilha radical do clã.

Diante do forte favoritismo de Lula no Nordeste, onde o presidente ostenta ampla aprovação popular graças a décadas de programas sociais e obras estruturantes, a campanha de Flávio colocou a região como prioridade nas próximas semanas para tentar encurtar a distância.

Para além dos governadores, o grupo bolsonarista tenta negociar com as cúpulas de legendas como União Brasil, PP e Republicanos. Dirigentes como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Antonio Rueda (União Brasil) mantêm proximidade com o candidato, apesar de divisões regionais.

Do lado do governo, Lula atuará com sua capacidade de articulação para manter as pontes com forças de centro, em especial setores do PSD liderados por Gilberto Kassab, que foi vice na chapa de Caiado e ainda não havia oficializado posição.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Tarcísio de Freitas deve assumir papel mais incisivo na tentativa de alavancar o palanque bolsonarista, enquanto divergências internas deixaram de fora das negociações nomes como Renan Santos (Missão), crítico contumaz da família Bolsonaro.

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Publicado em 5 de outubro de 2026 às 05:08

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