O senador eleito Mauro Mendes, ex-governador de Mato Grosso e integrante do União Brasil, manifestou-se contra o fim da escala 6x1, na qual o empregado trabalha seis dias para ter apenas um dia de descanso.
Alinhado ao bloco político bolsonarista, Mendes defendeu que a legislação permita ao empregado trabalhar pelo período que desejar. Sua posição inclui jornadas de 12, 14 e até 16 horas por dia.
A declaração ocorre enquanto o Senado se prepara para analisar uma proposta destinada a reduzir a carga horária semanal e garantir dois dias de descanso aos trabalhadores. O debate ganhou incerteza após o fortalecimento da extrema direita no Congresso.

Para justificar sua posição, Mendes citou o mercado de trabalho dos Estados Unidos e a rotina enfrentada por imigrantes brasileiros naquele país.
"Eu, particularmente, defendo que o trabalhador no Brasil possa trabalhar como se trabalha nos EUA. Porque lá nos EUA nós temos aí milhares e milhares de centenas de milhares de brasileiros que fogem daqui, entram clandestinamente nos EUA para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia", declarou o político.
O senador eleito também criticou as regras e fiscalizações criadas para impedir jornadas excessivas e proteger a saúde física e mental dos empregados.
"No Brasil, se um trabalhador trabalhar 11 horas por dia, o patrão, a empresa, vai ser processado por trabalho escravo. Olha que absurdo", completou Mendes.
A posição expõe a diferença entre a flexibilização das leis trabalhistas defendida pelo bolsonarismo e as propostas de melhoria da qualidade de vida apoiadas pelo governo do presidente Lula. Com a nova composição do Senado, medidas de proteção aos trabalhadores devem enfrentar maior resistência política.

