Condenado a mais de 160 anos de prisão por uma série de crimes contra cinco mulheres na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Marcos Antunes Trigueiro, conhecido como o "Maníaco de Contagem", continua preso 16 anos após ser detido. Atualmente, o criminoso cumpre pena em regime fechado no Presídio Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, na Grande BH.

Apurou-se junto às autoridades de segurança de Minas Gerais que ele está no sistema prisional mineiro desde 2010.
O criminoso foi condenado por cinco assassinatos cometidos entre 2009 e 2010, em Belo Horizonte e outros municípios da região metropolitana. As vítimas eram abordadas em veículos e mortas por estrangulamento. Os crimes mobilizaram a polícia, que identificou semelhanças entre os casos.
A prisão ocorreu em fevereiro de 2010. Os assassinatos foram julgados separadamente, e a última condenação ocorreu em fevereiro de 2018, na Comarca de Ibirité. Somadas, as penas aplicadas nos cinco julgamentos chegam a 161 anos, nove meses e dez dias de reclusão.
Um dos casos foi o de Ana Carolina Menezes Assunção, de 27 anos. A comerciante foi encontrada morta em 17 de abril de 2009, dentro do próprio carro, na Região Noroeste de Belo Horizonte.
Ana Carolina foi estrangulada com um cadarço de tênis. O filho dela, um bebê de apenas 14 meses, também estava no veículo e foi encontrado vivo, dormindo sobre o corpo da mãe. A criança não apresentava ferimentos.
Outro crime foi o de Maria Helena Lopes Aguilar, de 49 anos, encontrada morta em 17 de setembro de 2009, dentro do próprio carro. Ela foi estrangulada com o cinto de segurança do veículo.
A contadora Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, de 35 anos, foi encontrada morta em 12 de novembro de 2009, em uma estrada de terra em Nova Lima. O carro havia sido localizado no dia anterior, em Contagem, com os pertences da vítima, exceto o telefone celular. Ela foi estrangulada com o colar que usava.
Natália Cristina de Almeida Paiva também foi vítima. Ela desapareceu em janeiro de 2010. Seu carro foi encontrado na Via Expressa e o corpo foi localizado posteriormente em Sarzedo, na Grande BH.

As investigações identificaram semelhanças entre os assassinatos. As mulheres eram abordadas quando estavam em veículos, e os crimes envolviam violência sexual e estrangulamento.
Em fevereiro de 2010, já havia sido identificado um padrão de comportamento entre os casos. Exames periciais apontaram que o material genético encontrado em três vítimas assassinadas em 2009 pertencia ao mesmo homem.
Outro elemento importante para a investigação foi o rastreamento dos telefones celulares das vítimas, que eram levados pelo criminoso. A análise dos aparelhos ajudou os investigadores a chegar até o autor dos crimes.
A prisão aconteceu em 26 de fevereiro de 2010. Após a detenção, ele confessou os cinco assassinatos. Na época, descobriu-se que pelo menos três mulheres haviam conseguido escapar.
O último julgamento ocorreu em 7 de fevereiro de 2018. O processo tratava do assassinato de Adina Feitor Porto, que estava dentro do próprio carro quando foi abordada. Ele simulou um assalto e a obrigou a dirigir até Sarzedo, onde cometeu a violência e a estrangulou.
Depois do crime, ocultou o corpo da vítima, assumiu a direção do veículo e seguiu até a Via Expressa, em Contagem, onde abandonou o carro e fugiu.
Durante o julgamento, a promotoria o classificou como uma pessoa "fria, calculista, que planeja seus crimes".
A defesa apresentou argumentos relacionados a possíveis problemas mentais do réu e contestou parte das acusações. Ao proferir a sentença, o juiz considerou a personalidade do condenado "cruel e perversa" na definição da pena.
Ele recebeu mais 30 anos e cinco meses de prisão pelos crimes de estupro, homicídio, ocultação de cadáver e furto. Antes disso, já havia recebido outras quatro condenações.
As penas anteriores foram de 34 anos e 11 meses; 28 anos; 36 anos e nove meses; e 31 anos, oito meses e dez dias, todas envolvendo estupro e homicídio.
As condenações somam mais de 161 anos de reclusão. O total corresponde às penas divulgadas pelo tribunal nos julgamentos e não necessariamente ao cálculo atualizado da execução penal.
Na época do último julgamento, em 2018, ele estava preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Atualmente, encontra-se no Presídio Inspetor José Martinho Drumond.
As autoridades não informaram quando ocorreu a transferência entre as unidades, ressaltando que as movimentações de presos fazem parte da gestão do sistema e detalhes não são divulgados por razões de segurança.
O homem permanece em regime fechado. Foi esclarecido que questões relacionadas à progressão de regime, ao cumprimento das penas e à concessão de benefícios são de responsabilidade da Justiça.
Tentou-se obter informações atualizadas sobre a execução penal, incluindo eventuais pedidos de progressão de regime ou benefícios prisionais, mas não houve retorno dos órgãos competentes até o fechamento das informações.





