Integrantes do Supremo Tribunal Federal discutem como responder à pressão de senadores eleitos que defendem o impeachment de ministros e a redução da atuação da corte.
Os magistrados avaliam duas frentes: estabelecer diálogo com parlamentares do PL considerados menos radicais e acompanhar os possíveis desdobramentos de investigações envolvendo futuros integrantes do Senado.
Na avaliação dos ministros, ainda existe espaço para conversar com parte dos eleitos, apesar dos ataques feitos ao Supremo durante a campanha eleitoral.
Também se considera que parlamentares investigados podem evitar uma ofensiva mais intensa pelo afastamento de ministros diante de suas próprias situações na Justiça.
Reinaldo Azambuja, eleito por Mato Grosso do Sul, e Eduardo Gomes, eleito pelo Tocantins, são apontados como possíveis interlocutores. Integrantes do tribunal consideram viável manter diálogo com ambos.
A avaliação é que as críticas feitas durante a disputa eleitoral não impedem conversas com uma parcela da bancada. A possível aproximação envolveria integrantes do PL que não adotam o confronto com o STF como principal bandeira.
Os ministros fazem uma distinção entre parlamentares dispostos ao diálogo e aqueles que mantêm uma postura mais radical contra a corte.
Outra parte das discussões envolve senadores eleitos que são alvo de investigações da Polícia Federal em procedimentos sob responsabilidade do Supremo.
Carlos Jordy, do PL, eleito pelo Rio de Janeiro, é investigado por suspeita de desvio de cotas parlamentares. Mauro Mendes, ex-governador eleito por Mato Grosso, é alvo de uma investigação sobre supostos desvios de recursos estaduais envolvendo uma empresa de telefonia. As apurações ainda estão em andamento.
Os ministros avaliam que essas investigações podem avançar antes da posse dos eleitos. Eventuais desdobramentos poderiam influenciar a disposição dos investigados para ampliar a pressão pelo impeachment de integrantes do tribunal.
"A valentia vai até a página dois", afirmou um magistrado. As discussões ocorrem diante da eleição de uma bancada com potencial para impulsionar pedidos de afastamento de ministros e propostas destinadas a limitar a atuação do Supremo, mas ainda não existe uma decisão institucional da corte.
