A leitura de que Flávio Bolsonaro teria crescido rapidamente e ultrapassado Lula no primeiro turno pode ser uma "ilusão de ótica". A avaliação é do cientista político Antonio Lavareda.
Segundo Lavareda, Flávio chegou às urnas praticamente no mesmo patamar indicado pelas pesquisas anteriores à votação.
"Quanto é que o Flávio Bolsonaro teve nas urnas? Ele teve 35,34%, ou seja, arredondando, os mesmos 35% que estavam projetados para ele", afirmou.

O percentual citado considera o eleitorado total. Entre os votos válidos, Flávio Bolsonaro registrou 47,07%.
Para o cientista político, a mudança na posição dos candidatos não aconteceu por causa de um avanço expressivo de Flávio, mas pela redução dos votos recebidos por Lula.
"E por que é que ele passou o Lula? Não foi que ele tenha passado o Lula. O Lula perdeu votos e ficou atrás dele, como se um corredor numa disputa começasse a correr para trás", explicou.
Lavareda usou a comparação para contestar a narrativa de que o candidato do PL teria acelerado na reta final do primeiro turno.
"Não porque o outro estava correndo mais rápido, porque ele resolveu correr mais devagar e estava recuando."
Antes da votação, Lula aparecia com cerca de 39% do eleitorado total. Nas urnas, ficou com aproximadamente 34%. Considerando apenas os votos válidos, o presidente obteve 45,11%.
"O Lula tinha 39 no total e chegou na urna com 34, perdeu cinco pontos. Perdeu para quem? Perdeu para a abstenção", afirmou Lavareda.
De acordo com a análise, o fenômeno é semelhante ao observado na eleição de 2022.
A questão central não teria sido um crescimento fora do padrão da abstenção em comparação com a eleição anterior. O aumento ficou entre aproximadamente 0,13% e 0,16%.
A diferença estaria no perfil dos eleitores que deixaram de comparecer às urnas, atingindo de forma mais intensa a votação de Lula.
A avaliação contraria a narrativa de que Flávio Bolsonaro teria conquistado uma virada repentina no primeiro turno.
Para o segundo turno, Lavareda considera que Flávio pode ser beneficiado pela possível migração de votos dados anteriormente a candidatos da terceira via.
A campanha de Lula, por sua vez, teria três desafios principais: enfrentar a desmobilização, ampliar a rejeição a Flávio Bolsonaro e disputar o discurso de mudança.
A prioridade para o presidente será recuperar eleitores que demonstravam apoio antes da eleição, mas não compareceram para votar.
Assim, o resultado do primeiro turno pode ser explicado menos por um crescimento de Flávio e mais pela perda de força de Lula entre os ausentes.

