Suposta virada de Flávio pode ser ilusão
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📅 06/10/2026

Suposta virada de Flávio pode ser ilusão

Antonio Lavareda afirma que Flávio Bolsonaro manteve o desempenho previsto pelas pesquisas, enquanto Lula perdeu votos principalmente para a abstenção.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A leitura de que Flávio Bolsonaro teria crescido rapidamente e ultrapassado Lula no primeiro turno pode ser uma "ilusão de ótica". A avaliação é do cientista político Antonio Lavareda.

Segundo Lavareda, Flávio chegou às urnas praticamente no mesmo patamar indicado pelas pesquisas anteriores à votação.

"Quanto é que o Flávio Bolsonaro teve nas urnas? Ele teve 35,34%, ou seja, arredondando, os mesmos 35% que estavam projetados para ele", afirmou.

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O percentual citado considera o eleitorado total. Entre os votos válidos, Flávio Bolsonaro registrou 47,07%.

Para o cientista político, a mudança na posição dos candidatos não aconteceu por causa de um avanço expressivo de Flávio, mas pela redução dos votos recebidos por Lula.

"E por que é que ele passou o Lula? Não foi que ele tenha passado o Lula. O Lula perdeu votos e ficou atrás dele, como se um corredor numa disputa começasse a correr para trás", explicou.

Lavareda usou a comparação para contestar a narrativa de que o candidato do PL teria acelerado na reta final do primeiro turno.

"Não porque o outro estava correndo mais rápido, porque ele resolveu correr mais devagar e estava recuando."

Antes da votação, Lula aparecia com cerca de 39% do eleitorado total. Nas urnas, ficou com aproximadamente 34%. Considerando apenas os votos válidos, o presidente obteve 45,11%.

"O Lula tinha 39 no total e chegou na urna com 34, perdeu cinco pontos. Perdeu para quem? Perdeu para a abstenção", afirmou Lavareda.

De acordo com a análise, o fenômeno é semelhante ao observado na eleição de 2022.

A questão central não teria sido um crescimento fora do padrão da abstenção em comparação com a eleição anterior. O aumento ficou entre aproximadamente 0,13% e 0,16%.

A diferença estaria no perfil dos eleitores que deixaram de comparecer às urnas, atingindo de forma mais intensa a votação de Lula.

A avaliação contraria a narrativa de que Flávio Bolsonaro teria conquistado uma virada repentina no primeiro turno.

Para o segundo turno, Lavareda considera que Flávio pode ser beneficiado pela possível migração de votos dados anteriormente a candidatos da terceira via.

A campanha de Lula, por sua vez, teria três desafios principais: enfrentar a desmobilização, ampliar a rejeição a Flávio Bolsonaro e disputar o discurso de mudança.

A prioridade para o presidente será recuperar eleitores que demonstravam apoio antes da eleição, mas não compareceram para votar.

Assim, o resultado do primeiro turno pode ser explicado menos por um crescimento de Flávio e mais pela perda de força de Lula entre os ausentes.

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Publicado em 6 de outubro de 2026 às 16:01

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