O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que culminou na captura e detenção de Nicolás Maduro, encerra "um ciclo ruim" e abre espaço para reconstrução política e econômica. Para ele, a reação do Brasil expôs falta de liderança regional e isolamento diplomático.

Segundo Tarcísio, o Brasil poderia ter conduzido a transição democrática venezuelana. "O Brasil, que é a maior economia e que responde pelo maior território da América do Sul, poderia ter ajudado a Venezuela a construir um processo de transição para uma democracia, mas o Brasil nunca fez isso", disse.
Ele declarou que a operação norte-americana se deu "pela omissão dos países que não lideraram o processo". Ainda que reconheça ser possível "criticar os meios que foram usados agora, a legitimidade ou não", afirmou que "algo precisava ser feito e foi feito".
Ao avaliar o impacto político, Tarcísio disse que a posição do governo Luiz Inácio Lula da Silva contrariou o sentimento predominante na região. Segundo ele, a deposição de Maduro foi bem recebida por governos sul-americanos porque o regime era "insustentável" e prejudicial aos países vizinhos.
"A deposição de um ditador que fez tão mal à Venezuela tem que ser celebrada", afirmou. Ele lamentou a postura contrária de Brasil e Colômbia, dizendo que, "de maneira geral, a América do Sul está sintonizada nessa necessidade do fim da ditadura na Venezuela".
Para Tarcísio, o Brasil "se mostrou, nesse processo todo, irrelevante" e poderia ter articulado uma saída "menos abrupta, negociada". Ele criticou a relação histórica com Caracas ao afirmar que Maduro sempre foi tratado como "companheiro, nunca foi ditador".
Sobre o futuro institucional venezuelano, defendeu a restauração democrática com monitoramento internacional. "É importante um restabelecimento da democracia, com eleições livres, eleições que possam ser escrutinadas, acompanhadas", disse.
O governador destacou também o potencial econômico no pós-Maduro, citando a reconstrução de infraestrutura e a atração de investimentos como temas "à ordem do dia".
"Oportunidades se abrem para a Venezuela e o Brasil pode ser parceiro também nessas oportunidades", afirmou, defendendo o reconhecimento rápido de um governo legítimo e democrático em Caracas.
Além de Tarcísio, outros governadores manifestaram apoio à operação militar norte-americana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, disse que Trump ordenou a captura de Maduro na noite de 6ª feira e que a ação foi executada na madrugada de sábado. Segundo ele, houve ataques a 4 alvos com 150 caças e bombardeiros, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.
Helicópteros militares transportaram tropas para Caracas para efetuar a captura. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.
Há questionamentos sobre a legalidade internacional da operação sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Trump declarou que essa autorização é desnecessária.
Também foram levantadas dúvidas sobre o cumprimento das leis internas dos EUA. A operação deveria ter sido aprovada previamente pelo Congresso, e o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.
Até o momento, não há confirmação sobre mortos e feridos. Autoridades venezuelanas afirmaram que civis morreram durante a ação.
Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos Estados Unidos. Não comentou sobre eventuais mortes na Venezuela.
No início da tarde, Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até a definição de uma transição política. Ele não detalhou como isso ocorreria e concentrou-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Marco Rubio conversou com Rodríguez e que ela demonstrou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump afirmou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.
Em pronunciamento ao vivo, Delcy Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.
Rodríguez disse que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com Washington, desde que baseada no direito internacional. "Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país", declarou.

