Alckmin vê eco da ditadura em plano de Flávio
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Alckmin vê eco da ditadura em plano de Flávio

Vice-presidente rebateu a proposta de Flávio Bolsonaro de mudar a Constituição e comparou o discurso de "redemocratização" aos argumentos usados pela ditadura militar.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato à reeleição ao lado do presidente Lula (PT), rebateu nesta quarta-feira (7) as declarações de Flávio Bolsonaro (PL) sobre mudanças na Constituição.

Alckmin afirmou que a ditadura militar, entre 1964 e 1985, utilizou um argumento semelhante antes de impor uma Constituição autoritária.

"Mal terminou o primeiro turno das eleições e eles já estão falando em mudar a Constituição para redemocratizar o Brasil. A ditadura falava a mesma coisa quando mandou trocar a Constituição e impôs uma nova totalmente autoritária. Nós não precisamos disso. O Brasil precisa da reforma do Judiciário para estabelecer mandatos para os ministros e uma emenda dura para acabar de vez com os supersalários e os privilégios."

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O vice-presidente também defendeu uma reforma política e o fim do fundo eleitoral partidário. Ele criticou o histórico de votações de Flávio Bolsonaro sobre o assunto.

"E de reforma política para acabar com o fundo eleitoral partidário. Não sei se vocês sabiam disso, mas Flávio Bolsonaro votou quatro vezes a favor do fundão eleitoral enquanto ele era senador."

Ainda faltam quinze dias para o segundo turno das eleições de 2026, mas Flávio Bolsonaro já tem falado como se estivesse eleito presidente da República.

Nesta quarta-feira, o candidato do PL afirmou que pretende permanecer "por décadas no poder" ao lado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.

"Pra desespero deles, vai ser o sim fim da era Lula e a gente vai ficar por décadas no poder […] com o presidente Bolsonaro do meu lado, ele vai subir aquela rampa junto comigo."

Flávio Bolsonaro também elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e indicou que adotaria uma postura de confronto com a Corte caso fosse eleito.

As declarações foram feitas durante o evento que confirmou o apoio do Republicanos à candidatura do senador.

"A gente tem que buscar a estabilidade nesse país. Não dá para admitir o Supremo Tribunal Federal da forma como está, a gente tem que proteger as instituições. Não é por causa de um ou outro que a gente tem que baixar a cabeça e achar que tá tudo bem, porque não está tudo bem. Inclusive de ontem para hoje, uma parte da imprensa questionando, é papel da imprensa questionar, quando eu falo que a gente tem que redemocratizar o Brasil. A gente tem que redemocratizar, porque as instituições têm que voltar a ser respeitadas."

Na sequência, Flávio destacou a composição do Congresso Nacional que assumirá em janeiro. Segundo ele, haverá uma maioria de centro-direita.

O candidato afirmou que a proximidade política entre um eventual governo seu e o novo Congresso poderia facilitar a aprovação de suas propostas.

"Olha o que o povo brasileiro falou nas urnas. Olha o Congresso Nacional que será configurado a partir de janeiro. Acho que nenhum presidente da República com meu perfil casou tanto com um Congresso como esse de centro-direita, em que a maioria está ali estabelecida por identidade programática."

Na terça-feira (6), Flávio Bolsonaro já havia defendido mudanças na Constituição durante uma entrevista ao lado de Ronaldo Caiado (PSD). A declaração provocou reações de setores que identificaram um viés autoritário na proposta.

Mesmo diante das críticas, o candidato do PL não recuou. Depois de uma reunião com a União Progressista, que confirmou apoio à sua candidatura, ele apresentou algumas das alterações pretendidas.

Entre as propostas citadas estão a redução da maioridade penal, mudanças em pontos da reforma tributária, uma reforma do Judiciário e o fim da reeleição.

"Sou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo, isso tem que ser feito por PEC. Tem pontos da reforma tributária que têm que ser alterados por PEC. E o fim da reeleição."

Flávio Bolsonaro também mencionou a possibilidade de alterar a duração dos mandatos e disse que o assunto seria decidido pelo processo legislativo.

"Se vai ser mandato de quatro, de cinco anos, se vai valer só para presidente, se vai valer para governador. É o processo legislativo que vai ser respeitado e a maioria vai decidir qual é o que tem que ser feito, é a reforma política que tem que ser feita."

Ao justificar a proposta, o candidato alegou que o Brasil não vive atualmente uma democracia plena.

"Você acha que o Brasil está numa democracia plena hoje? Reflita. O Brasil está numa democracia plena? Eu vou chegar lá. Agora, a gente tem que respeitar a política, a gente tem várias peças que são possíveis."

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e candidato do PSD no primeiro turno, oficializou apoio a Flávio Bolsonaro após uma reunião realizada na terça-feira.

Ao discursar para militantes e jornalistas, Caiado afirmou que participará diretamente da campanha do candidato do PL.

"Você foi eleito, acabou, você está no segundo turno. Você tem o meu respeito. (…) Eu vou entrar com você de corpo inteiro, mas por convicção. Eu vou na minha briga de frente. Flávio, acredite, se tem um homem que quer ver você devolvendo o Brasil aos brasileiros, sou eu. Eu vou, sem dúvida nenhuma, estar ao seu lado."

Durante o mesmo evento, Flávio voltou a defender mudanças constitucionais e disse que a direita terá força para eleger os próximos presidentes da Câmara e do Senado.

"Elegemos um Congresso muito mais à direita do que ele é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, pra gente mudar a Constituição, pra gente redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição."

Para Alckmin, o uso da ideia de "redemocratização" para justificar uma ampla mudança constitucional exige atenção, especialmente diante do histórico autoritário do país.

O vice-presidente defendeu reformas feitas dentro das regras democráticas, com foco no combate aos privilégios, nos supersalários e nos problemas do sistema político, enquanto segue na chapa liderada por Lula.

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