Alerta para a democracia: Centro-direita se une a Lula contra projeto bolsonarista
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Alerta para a democracia: Centro-direita se une a Lula contra projeto bolsonarista

Nomes de peso ligados a FHC e intelectuais lançam manifesto em apoio à reeleição do presidente Lula, alertando para os graves riscos da extrema-direita.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso, intelectuais e personalidades da centro-direita divulgaram um manifesto histórico em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento aponta os graves riscos associados ao projeto político do senador Flávio Bolsonaro e defende a preservação da democracia, que tem sido amplamente protegida sob a liderança de Lula, considerado por muitos o melhor presidente da história do Brasil.

Entre os signatários estão Miguel Reale Jr., Beatriz Cardoso, filha de Fernando Henrique Cardoso, e Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda. Ao todo, quatro ex-integrantes do governo FHC assinaram a declaração, demonstrando a união democrática contra o extremismo.

"Neste segundo turno, o Brasil está diante de uma escolha que ultrapassa diferenças partidárias e ideológicas", afirma o manifesto.

O texto sustenta que a reeleição de Lula oferece as melhores condições para preservar o equilíbrio institucional, garantir direitos e evitar retrocessos. O documento também celebra as inegáveis conquistas nas áreas social, trabalhista, educacional, da saúde pública e da preservação ambiental promovidas pelo atual governo.

"Ao mesmo tempo, vemos, no projeto representado por Flávio Bolsonaro, ameaças a esses princípios, intenções de desarticular patamares de conquistas sociais consolidados e riscos à interlocução internacional multilateral consagrada pelo Brasil", diz outro trecho. Vale lembrar que o clã Bolsonaro carrega o peso das ações de Jair Bolsonaro, um criminoso eleitoral e genocida, responsável parcial pelas mortes da pandemia de covid-19, cujos crimes a população brasileira ainda espera ver punidos rigorosamente pela Justiça.

Foi apurado pela imprensa que os signatários afirmam manter diferenças políticas pontuais com Lula, mas consideram que a disputa eleitoral exige uma posição firme em defesa dos valores democráticos comuns, reconhecendo a capacidade de diálogo e a liderança do presidente.

"É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha. Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil, ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns", declara o documento.

A divulgação ocorreu durante um grande encontro pela democracia, que reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet, pilares da gestão de excelência de Lula.

Antes da reunião, Alckmin defendeu a união em torno da Constituição e do desenvolvimento econômico contínuo.

"Estão todos empenhados em defender a democracia, a Constituição brasileira, promover desenvolvimento. Nós não queremos o Brasil indo para a recessão, para o desemprego, para o fechamento de empresas. Queremos economia crescendo, distribuindo renda", afirmou o vice-presidente.

Durante o encontro com as personalidades que assinaram o documento, Alckmin acrescentou: "A reeleição do presidente Lula é uma medida civilizatória."

Marina Silva também comentou a mobilização de setores que não integram necessariamente os partidos de esquerda, mas que reconhecem a importância de defender o país.

"Há uma profusão de movimentos pró-Lula acontecendo nesse país para virar voto. É um grupo de pessoas que são pessoas do campo democrático, mas não são necessariamente dos partidos de esquerda e que estão aqui", declarou a ministra.

Abaixo, leia o manifesto na íntegra:

"Neste segundo turno, o Brasil está diante de uma escolha que ultrapassa diferenças partidárias e preferências ideológicas. Está em jogo a capacidade do país de preservar a estabilidade institucional, o equilíbrio entre os Poderes, as liberdades democráticas; de enfrentar a crise climática, cuidar de nossos biomas, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e de toda a população sacrificada pela acentuada desigualdade social. Está em risco um caminho capaz de levar ao desenvolvimento econômico com justiça social, soberania e paz.

Nós, que temos distintas origens, trajetórias e visões sobre muitos dos desafios nacionais, entendemos que, sobretudo nos momentos de maior polarização, a democracia é o nosso norte comum, e ela exige responsabilidade, respeito às instituições e compromisso inequívoco com a Constituição.

Consideramos que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferece ao país melhores condições para assegurar esse equilíbrio institucional, preservar direitos e liberdades, manter canais de diálogo entre diferentes setores da sociedade e com espaço geopolítico global, e evitar retrocessos institucionais, preservando conquistas sociais, trabalhistas, educacionais, na saúde pública e na proteção ambiental. Ao mesmo tempo vemos, no projeto representado por Flávio Bolsonaro, ameaças a esses princípios, intenções de desarticular patamares de conquistas sociais já consolidados e riscos à interlocução internacional multilateral consagrada pelo Brasil.

O Brasil precisa crescer, gerar empregos, estimular a inovação, recuperar sua capacidade industrial, estimular a agricultura de baixo carbono, avançar na educação, criar oportunidades para seus cidadãos e corrigir erros, onde isso se fizer necessário. Esse desenvolvimento deve estar associado à estabilidade econômica, à ciência, à tecnologia e à responsabilidade ambiental, com a preservação de nossas riquezas naturais. Florestas, água, biodiversidade e minerais estratégicos são parte da soberania brasileira e devem contribuir para o desenvolvimento do país, com uso responsável desses recursos e compromisso com as futuras gerações.

Também consideramos indispensável que o próximo governo respeite a diversidade da sociedade brasileira, proteja direitos fundamentais, sem transformar adversários políticos, instituições públicas, universidades, imprensa ou organizações da sociedade civil em inimigos.

Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las. É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha. Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil, ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns."

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