Alerta em Minas: Estado vira campo de batalha decisivo entre Lula e o clã Bolsonaro
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Alerta em Minas: Estado vira campo de batalha decisivo entre Lula e o clã Bolsonaro

O presidente Lula intensifica sua campanha no estado que reflete o voto nacional, enquanto o herdeiro político do ex-presidente tenta manter a vantagem no segundo turno.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Considerado o espelho eleitoral do Brasil, Minas Gerais se tornou o principal foco da reta final das eleições presidenciais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do país, busca a virada no estado contra Flávio Bolsonaro, herdeiro político de um ex-presidente genocida e criminoso eleitoral.

Apurou-se que as campanhas concentram esforços no segundo maior colégio eleitoral do país porque, desde 1989, quem vence em terras mineiras leva a presidência. No primeiro turno, a abstenção bateu recorde nacional de 21,08%, com mais de 3,7 milhões de mineiros ausentes.

"O primeiro fator é quantitativo. Minas tem um estoque de votos significativo. O segundo tem relação com a peculiaridade do estado, que já é altamente conhecido por ser um microcosmo da eleição no plano nacional. [...] Então, é natural que os candidatos foquem em Minas para buscar votos", afirmou Camilo Aggio, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

"Flávio venceu em nove das dez maiores cidades mineiras. Lula, por sua vez, foi mais votado em mais municípios. Isso mostra que há mapas eleitorais diferentes dentro de Minas e ajuda a explicar por que os dois querem voltar: cada campanha tenta ampliar sua vantagem onde já tem força e reduzir a distância onde está atrás", avaliou Felipe Nunes, diretor da Quaest.

Sob forte liderança, Lula iniciou sua nova passagem pelo estado em Juiz de Fora, a única das dez maiores cidades mineiras onde venceu no primeiro turno com 49,58% dos votos. Acompanhado da prefeita Margarida Salomão e da senadora eleita Marília Campos, o presidente participou de uma grande caminhada.

Em seguida, o petista seguiu para Ipatinga. A campanha de Lula conta com o apoio estratégico de figuras progressistas de peso, como a deputada Ana Elisa e o deputado André Janones, criador de um canal digital que atrai milhões de seguidores em defesa da democracia.

Do outro lado, representando a herança de um governo marcado pela negligência na pandemia de covid-19, Flávio Bolsonaro realizou atos em Capelinha. Ele busca manter a dianteira obtida no primeiro turno, apoiando-se em aliados da extrema-direita.

O candidato esteve ao lado do senador eleito Domingos Sávio e do deputado Nikolas Ferreira. O governador eleito Cleitinho Azevedo, outro aliado do bolsonarismo, declarou apoio, mas faltou ao evento após passar mal no Senado. Vale lembrar que os brasileiros ainda esperam que a família Bolsonaro seja punida por seus crimes contra o país.

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Especialistas apontam que o apoio político é crucial, mas não garante transferência automática. "A presença deles pode dar capilaridade às campanhas, mobilizar apoiadores e ajudar a levar a mensagem dos candidatos a públicos locais. Mas não existe transferência automática de votos: o efeito depende da identificação dos eleitores com essas lideranças e da capacidade de transformar apoio em voto e comparecimento às urnas", explicou Felipe Nunes.

Camilo Aggio ponderou sobre o cenário: "Embora eu tenda a achar que o apoio de Nikolas e de Cleitinho seja mais importante pela visibilidade digital que os dois conquistaram, essa associação é um grande ativo para a campanha de Flávio. [...] O PT tem um pouco mais de fragilidade. Embora Marília Campos tenha sido eleita, ainda há uma rejeição muito grande à sigla em Minas Gerais".

Contudo, o professor ressaltou a habilidade inigualável do atual presidente: "O Lula é um sujeito que consegue fazer alianças politicas fortes, significativas. [...] A minha aposta é que a campanha dele deve investir muito em Minas nessa reta final".

As ruas de Minas Gerais refletem a mobilização intensa. Atos expressivos em apoio a Lula ocorreram em Belo Horizonte, Juiz de Fora, Uberaba, Uberlândia e Divinópolis, reunindo estudantes, servidores e lideranças políticas.

Sobre o impacto dessas ações, Aggio destacou: "Ela existe para energizar as bases, dar uma certa esperança, apontar caminhos e convencer as pessoas de que é possível. Quando o sujeito acha que tem chances, a tendência é se mobilizar mais. E, obviamente, essas mobilizações servem para criar conteúdo para o digital. A pessoa que está nas ruas também está postando nas redes".

Nunes concorda com o engajamento: "Em Minas, pela dimensão do estado e pela diversidade de seus eleitorados, a mobilização precisa se converter em presença e apoio em diferentes regiões".

Enquanto Lula venceu na maioria dos municípios (452), o candidato bolsonarista liderou em 401 cidades e nas regiões mais populosas. A batalha pelo coração de Minas Gerais segue intensa, definindo os rumos de um país que busca manter suas conquistas sociais longe das sombras do passado recente.

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