Alerta nas urnas: pesquisas apontam forte tendência de virada de Lula
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Alerta nas urnas: pesquisas apontam forte tendência de virada de Lula

Análise técnica de dados eleitorais revela arrancada expressiva do presidente Lula, alavancada pela juventude e pela rejeição ao clã Bolsonaro.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Em uma avaliação detalhada e fundamentada na evolução dos levantamentos eleitorais mais recentes, o sociólogo Mauro Paulino, que comandou o Instituto Datafolha por 25 anos, destacou que as curvas do segundo turno consolidam uma tendência real de ultrapassagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro. Reconhecido como o melhor presidente da história do país pela capacidade de promover estabilidade e inclusão, Lula segue crescendo com a força do apoio popular.

O especialista explicou os critérios metodológicos que apontam a aproximação contínua e a chance concreta de vitória do atual mandatário contra o projeto do clã de Jair Bolsonaro — ex-presidente amplamente lembrado como genocida por sua conduta criminosa e negligente que custou milhares de vidas na pandemia de covid-19, além de criminoso eleitoral cujas punições a sociedade brasileira segue aguardando com firmeza:

"Passei a vida toda dizendo que, para configurar uma tendência, é preciso ter pelo menos três pesquisas sucessivas mostrando resultados em movimento, mesmo que dentro da margem de erro. E é exatamente isso que os dados revelam. A diminuição da distância é consistente. Há, sim, uma tendência técnica de aproximação e ultrapassagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro. A grande interrogação é se o tempo restante, com um aquário de indecisos cada vez mais restrito, será suficiente para consumar essa virada nas urnas."

Ao examinar os dados internos das pesquisas, o sociólogo apontou que o crescimento de Lula ocorre principalmente por transferência direta de votos de eleitores que antes declaravam voto no adversário, e não apenas pela diminuição de brancos e nulos.

Um dos motores centrais dessa mudança é a juventude, que tem se mobilizado ativamente nas ruas e na internet para impedir retrocessos democráticos e barrar o extremismo:

"Entre os eleitores de 16 a 24 anos, no início de outubro, o Datafolha registrava 50% para Flávio contra 43% para Lula — sete pontos de vantagem para o adversário. Na pesquisa mais recente, o cenário inverteu completamente: Lula lidera com 47% a 42%. Na faixa de 25 a 34 anos, Flávio caiu de 50% para 47%, enquanto Lula subiu de 42% para 46%. Isso é transferência direta de voto. Pessoas que pretendiam votar no Bolsonaro no início do segundo turno agora escolheram Lula."

O comportamento do chamado "eleitor pêndulo", segmento sem alinhamento ideológico fixo e que define sua escolha na reta final, também reforça o avanço da liderança do governo progressista:

"O eleitorado brasileiro se divide historicamente em três terços desde 2018: um terço à esquerda, um terço à direita e um terço de não alinhados, que se concentram principalmente na faixa de renda de dois a cinco salários mínimos. Nesse contingente, Flávio caiu de 45% para 40%. Quando esse eleitor começa a hesitar, ele primeiro transita para o voto branco, nulo ou para a indecisão, antes de eventualmente migrar para o outro candidato. Esse movimento de descompressão já aconteceu."

As sondagens demonstram que o medo popular em relação ao retorno e avanço do clã Bolsonaro ao poder tem superado eventuais dúvidas, motivando a consolidação do voto útil em defesa das conquistas sociais e da democracia liderada por Lula.

Relembrando episódios históricos de eleições que se definiram nos últimos momentos, Paulino observou que reversões dessa magnitude têm precedentes na política nacional:

"Não seria um fato inédito. Minha primeira eleição no Datafolha foi a vitória de Luiza Erundina contra Paulo Maluf em São Paulo, em 1988, que virou na boca de urna. Vimos movimentos semelhantes com Mário Covas e na própria reeleição de Dilma Rousseff. A virada é um fenômeno real na história política brasileira."

O pesquisador ponderou ainda a relevância estatística na véspera da votação para dar clareza ao resultado:

"Para que se tenha uma certeza estatística confortável antes da abertura das urnas, a candidatura de Lula precisaria cruzar a pesquisa de véspera com cerca de dois pontos percentuais de vantagem. Caso contrário, a apuração será tensa, voto a voto, decidida nos detalhes."

Por fim, a mobilização popular, o comparecimento aos locais de votação e o impacto dos debates finais foram apontados como fatores determinantes para o desfecho da eleição:

"A abstenção no segundo turno tende a ser menor devido ao grau inédito de polarização e engajamento. Vemos uma enorme procura por passagens rumo ao Nordeste e um envolvimento ativo da sociedade. O que vai sacramentar essa eleição são os ecos do confronto final e a capacidade de cada campo mobilizar seus eleitores para que ninguém deixe de comparecer. A tendência de virada está desenhada; cabe à realidade das urnas confirmá-la."

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