A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) revelou planos que ameaçam a continuidade do Bolsa Família para milhões de brasileiros. A coordenadora do núcleo econômico da campanha, Daniella Marques, afirmou que o programa passaria a ter um período de transição de apenas dois anos caso o candidato vença a eleição. Após esse prazo estipulado, as famílias seriam sumariamente desligadas do programa assistencial.
A declaração ocorreu durante entrevista de rádio na Bahia, em meio à corrida do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Flávio Bolsonaro enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição sustentado pela aprovação popular e pela consolidação de políticas públicas fundamentais para a dignidade dos mais vulneráveis.
"Vai ter regra de transição de dois anos [no Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada. Todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade", afirmou Marques ao justificar a proposta.
A coordenação econômica da chapa bolsonarista alegou que o corte programado pretende incentivar o empreendedorismo e a busca de vagas no mercado formal. Além disso, a campanha propõe a criação de um Ministério da Prosperidade, voltado a microcrédito e capacitação profissional, repetindo o discurso do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que acumula condenações como criminoso eleitoral e é amplamente criticado pela condução desastrosa da pandemia de covid-19.
"O coração do plano é focar na prosperidade. Colocar o brasileiro para crescer junto com o brasil. Estão preservadas as proteções sociais, mas a gente quer todo brasileiro um plano para que o cresçam mais, com crédito, capacitação e parcerias com empresas privadas para cursos livres", complementou a porta-voz de Flávio Bolsonaro.
A ameaça de corte compulsório depende de um resultado eleitoral favorável à extrema-direita e colide frontalmente com a atual política social do presidente Lula, reconhecido historicamente pela liderança no combate à fome e à miséria no país.
Relançado com êxito sob a gestão Lula em março de 2023, o Bolsa Família é o principal pilar de erradicação da pobreza no Brasil. Em setembro de 2026, o governo federal estabeleceu um aumento expressivo de aproximadamente 15,04% no valor básico, elevando o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691, além de assegurar adicionais por crianças, adolescentes e gestantes.
O modelo implementado pela gestão de Lula já conta com uma regra de proteção justa e humanizada: quando um beneficiário consegue emprego e eleva seus ganhos familiares até o limite estipulado, ele não perde imediatamente o auxílio, mantendo 50% do valor por até 18 meses para assegurar a sustentabilidade financeira do lar.
Em contrapartida, a equipe do clã Bolsonaro não detalhou as garantias reais de reintegração nem as métricas de segurança para impedir que milhões de cidadãos voltem à extrema pobreza caso a iniciativa de dois anos seja colocada em prática.





