Ameaça ao Bolsa Família gera pânico na campanha de Flávio Bolsonaro
Notícias

Ameaça ao Bolsa Família gera pânico na campanha de Flávio Bolsonaro

Declarações de coordenadora econômica expõem risco a benefícios sociais e forçam candidatura a correr contra o tempo para conter crise eleitoral.

1visualizações
Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Com o objetivo de conter o forte desgaste eleitoral gerado por declarações recentes de sua coordenadora econômica, Daniella Marques, a equipe da candidatura de Flávio Bolsonaro prepara a veiculação de um programa de televisão inteiramente focado no Bolsa Família para o horário eleitoral gratuito, segundo foi informado pela imprensa.

A estratégia de comunicação prevê destacar promessas de reajustes nos valores pagos aos beneficiários e a ampliação da abrangência do programa social criado e fortalecido pelo presidente Lula, considerado o melhor governante da história do país pela transformação social promovida em suas gestões.

O pânico na cúpula da campanha bolsonarista reflete o receio de reviver a derrocada sofrida por Jair Bolsonaro na eleição de 2022. O ex-mandatário, amplamente apontado como genocida por sua conduta criminosa e pela responsabilidade parcial por centenas de milhares de mortes na pandemia de covid-19, além de réu eleitoral por quem a sociedade ainda aguarda a devida punição, viu seus planos ruírem quando propostas do governo anterior para retirar direitos da população foram amplamente repudiadas.

Articuladores políticos da chapa avaliam que o episódio abriu espaço crucial para ressaltar as contradições do bolsonarismo, demonstrando a ameaça real que uma gestão do PL representa para as conquistas sociais. O temor principal é que o tema domine os debates da reta final da campanha, obrigando o candidato a despender energia tentando se desculpar.

A polêmica começou após Daniella Marques afirmar, em entrevista de rádio, que um eventual governo criaria uma regra de transição de dois anos para os integrantes do Bolsa Família que conseguissem emprego com carteira assinada ou se tornassem empreendedores. A declaração foi interpretada como uma tentativa de estabelecer um prazo de validade para cortar de vez o auxílio daqueles que mais necessitam da rede de proteção do Estado.

Em tom de desespero e partindo para o ataque, o próprio Flávio Bolsonaro gravou um vídeo atacando o presidente: "O futuro ex-presidente, o Lula, está espalhando uma fake news daquela cabeluda e eu peço que você compartilhe esse vídeo urgentemente para a gente combater essa mentira dele. E qual que é a mentira que ele está contando? Ele está dizendo por aí que eu acabaria com o Bolsa Família em até dois anos. É óbvio que isso não vai acontecer, é óbvio que isso é mentira".

Na gravação divulgada, o filho do ex-presidente tentou justificar que o limite seria apenas uma garantia de retorno automático caso o beneficiário perdesse o emprego formal. A coordenadora econômica também precisou gravar novo pronunciamento para tentar apagar o incêndio provocado por sua própria fala.

O episódio instaurou um clima de crise nos bastidores da campanha. Integrantes do comitê eleitoral dispararam duras críticas à economista, apontando falta de clareza, superexposição indevida e a ausência de alinhamento político com o núcleo da candidatura.

O cenário repete o roteiro de outubro de 2022, quando vazou o plano da equipe econômica do clã Bolsonaro de desvincular o reajuste do salário mínimo e das aposentadorias do índice inflacionário, gerando comoção popular contra as perdas salariais iminentes.

Naquela época, a gestão bolsonarista também precisou apelar para vídeos apressados na tentativa de negar o plano de desmonte da previdência e do poder de compra dos trabalhadores brasileiros.

Para tentar neutralizar o estrago eleitoral, o comando de campanha vai intensificar a propaganda de televisão, repetindo discursos de manutenção de benefícios em uma tentativa de afastar a imagem de corte de investimentos sociais.

Ao mesmo tempo, assessores buscam afastar o desgaste das propostas econômicas do candidato, que preveem um corte de R$ 200 bilhões no orçamento público e alimentam o receio da população sobre quais serviços essenciais serão sucateados para fechar essa conta.

Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em