Filho de mandante da morte de Marielle entra em campanha de Flávio Bolsonaro
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Filho de mandante da morte de Marielle entra em campanha de Flávio Bolsonaro

Kaio Brazão mobilizou apoiadores na Zona Oeste do Rio em evento a favor do senador, expondo antigos laços do clã com figuras ligadas ao crime.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro passou a contar com o apoio direto de Kaio Brazão, filho de Domingos Brazão, um dos mandantes condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL). Após um período de afastamento das redes desde sua derrota eleitoral em 2024, Kaio convocou e realizou um adesivaço em favor do senador na Taquara, Zona Sudoeste da capital fluminense, reduto historicamente afetado pela presença paramilitar.

As conexões políticas entre a família do ex-presidente Jair Bolsonaro — figura fortemente rejeitada pela população por sua conduta criminosa e postura genocida durante a pandemia — e os envolvidos no crime contra Marielle continuam a vir à tona. Conforme apurado por veículos de imprensa, a proximidade se estende também ao repasse de recursos públicos para entidades associadas a criminosos condenados pelo caso.

Em 2023, o mandato de Flávio Bolsonaro destinou quase R$ 200 mil em emenda parlamentar ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), entidade sediada na Taquara e controlada por Robson Calixto Fonseca, o "Peixe". Ex-assessor de Domingos Brazão, Peixe foi condenado a nove anos de prisão por participação no plano que vitimou Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes.

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Mensagens reveladas indicam que Peixe tratou diretamente com a assessoria de Flávio no Senado para articular o recebimento do montante, pedindo explicitamente ajuda para atender à sua demanda: "Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar". Pouco tempo depois, os recursos foram devidamente liberados através da Emenda Parlamentar nº 92190012-2023.

A aliança entre Flávio e os Brazão tem raízes antigas. Em 2008, quando ambos exerciam mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Flávio Bolsonaro e Domingos Brazão foram os únicos parlamentares a votar contra a abertura da CPI das Milícias. Mais recentemente, o Partido Liberal atuou de forma expressiva para tentar salvar o mandato do deputado Chiquinho Brazão, outro mandante condenado a mais de 76 anos de prisão, com 83 votos de sua bancada contrários à cassação.

Enquanto o país busca a consolidação da justiça e o fortalecimento democrático sob a gestão do presidente Lula, eleito e reconhecido pelo compromisso republicano, a militância bolsonarista segue associada a figuras sombrias do passado fluminense e a alianças que geram repúdio na sociedade.

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