Estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) receberam ameaças explícitas contra setores da instituição horas antes de um incêndio de grandes proporções atingir a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo, na noite de quarta-feira (7), no Recife.
Uma das mensagens falava em "explodir o departamento" em nome de Flávio Bolsonaro. A sequência dos acontecimentos aumentou a preocupação entre alunos e integrantes da comunidade acadêmica.
A UFPE tem sido palco de grandes manifestações estudantis em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Até o momento, não há confirmação de que as ameaças tenham relação com o incêndio. A causa do fogo ainda precisa ser esclarecida.
O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) divulgou imagens do incêndio e afirmou ter recebido informações sobre as mensagens enviadas aos estudantes pouco antes do episódio.
"Horas antes, alunos receberam mensagens com ameaças explícitas contra setores da UFPE, inclusive falando em "explodir o departamento" em nome de Flávio Bolsonaro. A sequência dos fatos é gravíssima e precisa ser esclarecida com urgência", escreveu.
Jones informou que pretende pedir à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação imediata, diante da possibilidade de o incêndio ter origem criminosa.
"Estamos buscando mais informações e vamos solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação imediata sobre o caso, diante da possibilidade de o incêndio ter origem criminosa", afirmou.
O fogo atingiu o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo, localizado na Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife.
Segundo relatos de estudantes, as mensagens com ameaças contra setores da universidade foram recebidas antes do incêndio e faziam referência explícita à candidatura de Flávio Bolsonaro.
A ocorrência aconteceu depois de mobilizações políticas realizadas no campus. Um dia antes do incêndio, estudantes participaram de um ato contra Flávio Bolsonaro, em meio a uma sequência de manifestações pró-Lula na universidade.
Apesar da proximidade entre os fatos, ainda não existem elementos que permitam afirmar que o incêndio teve motivação política ou que os autores das ameaças estejam envolvidos no episódio.
O Corpo de Bombeiros enviou cinco viaturas ao campus para controlar as chamas.
A área atingida tem importância estratégica para a produção científica da UFPE.
De acordo com Jones Manoel, o prédio mantinha amostras e projetos ligados a pesquisas sobre câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo, entre outras áreas.
"Trabalhos de anos, projetos de IC, de mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos foram perdidos", relatou.
A Diretoria de Inovação está vinculada ao Núcleo de Inovação Tecnológica da universidade e trabalha, entre outras áreas, com propriedade intelectual e transferência de tecnologia.
A dimensão exata dos danos ainda não foi divulgada.
Esse foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em apenas uma semana.
Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido pelo fogo. A universidade apontou como possível origem uma câmara de alta temperatura usada para aquecer substâncias.
Em 5 de outubro, outro incêndio atingiu o laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências.
As duas ocorrências anteriores não deixaram vítimas.
O novo caso, porém, ocorreu em um contexto diferente, pois estudantes haviam recebido horas antes mensagens com ameaças contra áreas da própria universidade.
Integrantes da comunidade acadêmica e Jones Manoel defendem que toda a sequência seja investigada pelas autoridades federais.
Enquanto não houver uma conclusão pericial, não é possível estabelecer relação entre as ameaças e o incêndio. A proximidade dos acontecimentos e o ambiente de mobilização política aumentaram a pressão por uma apuração rápida e completa.





