A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende usar nas redes sociais as declarações de Flávio Bolsonaro sobre mudanças na Constituição para ampliar a rejeição ao adversário no segundo turno.
A estratégia será apresentar as propostas do senador como uma ameaça aos direitos sociais e trabalhistas. Parlamentares eleitos e influenciadores digitais deverão participar da mobilização.
O movimento ocorre depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio, com uma diferença superior a dois milhões de votos. Para reverter o resultado, a equipe petista prepara vídeos, manifestações públicas e conteúdos para as plataformas digitais.
As declarações que motivaram a reação foram feitas por Flávio na terça-feira (6), durante uma agenda em Goiânia. O candidato do PL relacionou a possibilidade de alterar a Constituição à nova composição do Congresso.
"O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar esse país. Para as instituições voltarem a respeitar a Constituição", afirmou.
A campanha de Lula considera que a fala permite questionar os efeitos de uma eventual Presidência de Flávio apoiada por uma maioria parlamentar. A mensagem será a de que essa combinação poderia viabilizar mudanças profundas na legislação e afetar direitos da população.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, criticou as intenções atribuídas ao adversário e alertou para o risco de autoritarismo.
"Eles vão tentar governar o país com um manto de legalidade, mas com muito autoritarismo. Ele quer mudar a Constituição para piorar a vida do povo brasileiro. Fará mudanças para capturar o supremo, comprometer políticas de inclusão e para se perpetuar no poder", declarou.
A disputa pela rejeição ganhou importância após Flávio receber o apoio de partidos que permaneceram neutros no primeiro turno e de Ronaldo Caiado, derrotado na eleição presidencial. No último levantamento Datafolha divulgado antes da votação, Lula e Flávio registravam o mesmo índice de rejeição: 45%.
Aliados do presidente também discutem uma reforma do Judiciário. Em reunião com parlamentares do PT na quarta-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu que o governo encaminhe uma proposta ao Congresso antes do segundo turno.
O tema já vinha sendo debatido por governistas. Em setembro, o PT aprovou uma resolução que propõe mandatos para ministros de tribunais superiores. A expectativa é que Lula apresente nos próximos dias suas posições e propostas concretas para mudanças no Judiciário.





