A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar as circunstâncias e as possíveis causas do incêndio que atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, na noite de quarta-feira (7). O fogo destruiu equipamentos, amostras e pesquisas científicas, mas não deixou vítimas.
O edifício, localizado na Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife, reunia laboratórios de fármacos, informática e genética, além de estruturas ligadas ao Núcleo de Inovação Terapêutica. O Corpo de Bombeiros de Pernambuco mobilizou oito viaturas e permaneceu no local até aproximadamente 5h de quinta-feira (8).
A PF informou que mantém contato com o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, e com o comando do Corpo de Bombeiros. Uma equipe de peritos federais foi enviada ao campus para examinar o prédio e buscar elementos que ajudem a esclarecer a origem das chamas.

A investigação ganhou dimensão política depois que o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) relatou que estudantes receberam mensagens ameaçadoras horas antes do incêndio. Segundo ele, os textos mencionavam "explodir o departamento" e faziam referência à candidatura de Flávio Bolsonaro. A autoria e a autenticidade das mensagens ainda não foram confirmadas oficialmente.
Jones Manoel afirmou que solicitará à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma apuração das ameaças e da possibilidade de ação criminosa. Ele também pediu que estudantes com registros semelhantes encaminhem o material às autoridades.
O incêndio ocorreu um dia depois de um ato estudantil contra Flávio Bolsonaro no campus, durante mobilizações favoráveis a Lula. O deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE), aliado de Flávio, havia declarado que organizava grupos anti-Lula em universidades pernambucanas para atuar no segundo turno. Medina nega envolvimento com o incêndio e com as ameaças. Até o momento, não há elementos que comprovem relação entre esses fatos.
O reitor Alfredo Gomes acompanhou o trabalho dos bombeiros e confirmou perdas de equipamentos, amostras e trabalhos acadêmicos. O levantamento dos prejuízos continua. O prédio abrigava projetos relacionados a câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo, além de pesquisas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
O governo Lula mobilizou o Ministério da Educação e a Advocacia-Geral da União para acompanhar o caso. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, colocou a pasta à disposição da universidade. O advogado-geral da União, Jorge Messias, determinou a formação de uma comissão de procuradores para acompanhar as apurações e avaliar eventuais medidas jurídicas.
"Trabalhos de anos, projetos de IC, de mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos foram perdidos", escreveu Jones Manoel ao relatar os danos e as ameaças anteriores ao incêndio.
Este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em pouco mais de uma semana. Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido, possivelmente por causa de uma câmara de alta temperatura. Em 5 de outubro, outro incêndio alcançou o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal. Os episódios anteriores também não deixaram vítimas, e a recorrência deverá ser considerada na investigação.





