Um dia antes do incêndio no antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou ataques contra estudantes que participavam de atos favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Às 19h08 de terça-feira (6), Nikolas afirmou nas redes sociais que os estudantes "vão perder a linha". Depois, escreveu: "Em breve, ficará ainda mais claro qual lado escolher nessa eleições. O que seria um 'trunfo' da esquerda, será o mais um motivo da derrota".

A publicação ocorreu durante uma série de críticas feitas pelo deputado reeleito contra a mobilização estudantil. Não há, até o momento, comprovação de ligação entre as mensagens de Nikolas e o incêndio.
Nesta quinta-feira (8), Nikolas voltou a atacar os atos, dizendo que "os estudantes tão indo pra rua no meio de semana, atrapalhando o trabalhador a voltar pra casa e gritando 'sem anistia' pra virar votos". Ele também ironizou: "certeza que foi ideia da Janja". O deputado não havia se manifestado sobre o incêndio na UFPE.
Na mesma terça-feira, às 18h08, o deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE), aliado de Flávio Bolsonaro, declarou que estava organizando grupos contrários a Lula em universidades pernambucanas para atuar no segundo turno da eleição presidencial.
Medina afirmou que retornou às universidades acompanhado de Gilson Filho, eleito deputado estadual pelo PL, para distribuir material da campanha de Flávio Bolsonaro e formar esses grupos.
Na entrevista, Medina declarou: "Hoje mesmo já voltei às universidades para distribuir material do Flávio". Em seguida, acrescentou: "Estamos fazendo muitos grupos de faculdade anti-Lula".
Segundo o parlamentar, a mobilização acontecia em diferentes regiões de Pernambuco e não estava limitada à capital ou à Região Metropolitana do Recife. A declaração indica que a organização já estava em andamento antes da repercussão das ameaças relatadas por estudantes.
Thiago Medina negou qualquer envolvimento com o incêndio na universidade ou com ameaças dirigidas a alunos que apoiam Lula.
Nesta quinta-feira, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar as causas do incêndio. O fogo destruiu equipamentos, amostras e pesquisas científicas, mas não deixou vítimas.
A investigação ganhou dimensão política após parlamentares, entre eles o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), relatarem que estudantes teriam recebido ameaças explícitas horas antes do incêndio. As mensagens faziam referências à candidatura de Flávio Bolsonaro e incluíam a expressão "explodir o departamento".
Caberá à investigação esclarecer a origem das ameaças, as circunstâncias do incêndio e a existência de alguma relação entre os episódios.





