A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a divulgar um vídeo no qual um menino de 9 anos aparece segurando objetos semelhantes a armas. As imagens foram registradas durante uma concentração de apoiadores de Flávio Bolsonaro, do PL, em Parnamirim, no Rio Grande do Norte.
Publicada nas redes sociais na quinta-feira (8), a peça relaciona o episódio à pauta armamentista defendida pelo bolsonarismo. O material também alerta para possíveis retrocessos sociais caso o filho de Jair Bolsonaro chegue ao poder.
O vídeo adota como tema a frase "Se Flávio vence, você perde" e afirma: "Perde quando o futuro de milhões de famílias é tratado como número e quando programas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia e Farmácia Popular deixam de ser vistos como instrumentos para garantir dignidade, oportunidades e futuro. O que está em jogo é o Brasil que queremos construir."

Em outro vídeo, publicado na terça-feira (6), a campanha de Lula chamou a atenção para a presença do menino com objetos semelhantes a armas durante a concentração política.
A publicação declara: "Sempre que uma criança e uma arma ocupam o mesmo espaço, alguém está no lugar errado". Ao final, acrescenta: "Protejam seus filhos do bolsonarismo".
Nas imagens, o menino aparece sobre um carro, cercado por adultos, enquanto dança e levanta um objeto semelhante a uma pistola. Em outro momento, ele segura uma imitação de fuzil. O registro foi feito na Avenida Castor Vieira Régis, no bairro Cohabinal.
Inicialmente, o episódio foi associado a uma comemoração de apoiadores de Flávio Bolsonaro após o primeiro turno, realizado no domingo (4). Participantes e o vereador Gabriel César, do PL, afirmaram posteriormente que a gravação ocorreu no sábado (3), véspera da votação. A data ainda está sendo apurada.
A família informou ao Conselho Tutelar que os objetos utilizados pelo menino eram armas de brinquedo. A instituição acompanha o caso e adotou medidas para proteger a criança.
A conselheira tutelar Amanda Melo afirmou que foi constatado que os objetos eram brinquedos. A Polícia Civil, no entanto, ainda investiga as circunstâncias do episódio.
Segundo a mãe, o garoto estava sob os cuidados do pai no fim de semana da concentração. Ela disse que só soube da participação do filho depois que as imagens passaram a circular nas redes sociais.
Com a repercussão, a mãe procurou a Justiça para regularizar a guarda da criança. Separados há cerca de oito anos, os pais mantinham um acordo informal para que o menino passasse os fins de semana com o pai.
O Conselho Tutelar informou que a criança será encaminhada para acompanhamento psicológico. Os responsáveis também foram orientados a não incentivar o uso de simulacros de armas nem gestos relacionados à violência.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte abriu uma investigação por meio da 17ª Delegacia de Polícia de Parnamirim. Serão realizadas diligências e análises das imagens para esclarecer o caso. Os pais foram identificados, e a apuração corre sob sigilo.
O Instituto Potiguar de Direitos Humanos encaminhou uma notícia de fato ao Ministério Público do Rio Grande do Norte. A entidade pediu esclarecimentos e possíveis medidas de proteção, sem antecipar responsabilidades.
Gabriel César, que participou da organização da concentração, confirmou que o menino estava no evento com os pais e declarou que os objetos eram brinquedos. O vereador também disse que poderá oferecer apoio jurídico à família.
Ainda não foram esclarecidas a data exata da gravação nem as circunstâncias em que os objetos chegaram às mãos da criança. O episódio passou a integrar a campanha de Lula como um alerta sobre a relação do bolsonarismo com a pauta armamentista e sobre os riscos de retrocessos em políticas sociais.





