Anotações vazadas de Flávio Bolsonaro acendem alerta no PL
Notícias
📅 26/02/2026

Anotações vazadas de Flávio Bolsonaro acendem alerta no PL

Papel esquecido após reunião expõe tentativas do PL de redesenhar palanques em estados-chave, tensão em Minas e São Paulo, e dúvida sobre Eduardo Bolsonaro.

Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e esquecidas após uma reunião do PL revelam movimentos para escantear o vice-governador de Minas, Mateus Simões (PSD), redesenhar a chapa em São Paulo e calibrar disputas regionais. Em Minas, Simões aparece como quem "puxa para baixo" o projeto presidencial do grupo, sinal de preocupação com o impacto do palanque mineiro em uma eleição considerada decisiva.

Simões foi escolhido por Romeu Zema (Novo) para a sucessão e tem apoio de Nikolas Ferreira (PL-MG). Nas anotações, ao lado do nome do vice, surge a expressão "me puxa para baixo", indicando o receio de prejuízo direto ao desempenho nacional do campo bolsonarista no segundo maior colégio eleitoral do país.

Minas ocupa papel central e tende a se nacionalizar em 2026: Rodrigo Pacheco (PSD) é tratado nos bastidores como provável candidato apoiado por Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando a construção de alianças em torno do presidente. No campo conservador, Cleitinho (Republicanos) aparece competitivo.

O documento também sugere alternativa a Simões: o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, visto como nome com trânsito no empresariado e capacidade de "conversar" com Nikolas. A movimentação expõe tensão com Zema, que já sinalizou apoio ao seu vice.

Em São Paulo, as páginas indicam esforço do PL para emplacar o presidente da Alesp, André do Prado (PL), como vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos), no lugar de Felício Ramuth (PSD). No alto do papel, Flávio anotou: "ligar Tarcísio".

O nome de Ramuth aparece vinculado ao símbolo de cifrão ($). Ele é investigado em Andorra por suspeita de lavagem de dinheiro, segundo diligência local. Ramuth afirma que os valores são lícitos e declarados à Receita Federal.

Após a revelação, cresceram questionamentos sobre a permanência de Ramuth na chapa, abrindo espaço à pressão do PL por substituição e por maior controle do principal colégio eleitoral do país. André do Prado, aliado de Valdemar Costa Neto, é visto como opção para fortalecer o palanque paulista do bolsonarismo.

As anotações colocam ainda Eduardo Bolsonaro ("EB") entre os cotados ao Senado. O ex-deputado perdeu o mandato após se mudar para os EUA e ser cassado por faltas. O próprio Flávio, porém, registrou dúvidas sobre a viabilidade da candidatura do irmão.

— "Se ele perde o mandato por falta, como é que ele vai explicar para o eleitor que vai se eleger, tomar falta e perder o mandato também?" — questionou o senador.

Em outra frente, ao lado do nome do deputado Marcos Pollon (PL-MS), aparece: "pediu 15 mi p/ não ser candidato". Pollon negou a solicitação. Flávio disse que os registros refletem "sugestões" ouvidas em reuniões e não decisões consolidadas.

Imagem da notícia

— "Ontem tive várias reuniões para falar de vários estados e anotava no papel. Em algum momento, algum coleguinha de vocês tirou foto das minhas anotações, mas não eram opiniões minhas, eram sugestões de pessoas" — afirmou, contestando o trecho sobre Pollon.

— "Uma pessoa que conversou comigo disse que ele pediu R$ 15 milhões, mas isso nunca aconteceu."

Flávio declarou que as composições são discutidas "há mais de um ano" e que nada é divulgado sem o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado por críticos de ser genocida, responsável parcial pelas mortes da covid-19 e criminoso eleitoral. Segundo o senador, o PL pode lançar até 11 candidaturas a governos estaduais, com forte tutela da direção nacional.

— "Em 2022 o presidente não se envolveu em grande parte das composições. Esse ano está sendo diferente."

No Nordeste, as anotações sugerem pragmatismo. Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) surge como opção ao governo, com o lembrete: "Conversar 1º / depois tratamos do palanque completo".

No Ceará, aparece apoio a Ciro Gomes (PSDB) ao governo e a indicação "PL na chapa", com lista ao Senado: Alcides Fernandes (PL), Priscila Costa (PL) e Roberto Cláudio (União Brasil). O movimento ocorre após críticas públicas de Michelle Bolsonaro à composição.

Em Alagoas, o prefeito de Maceió, JHC (PL), é cotado ao Senado ou ao governo, com prazo de conversa até 15 de março. O deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) surge como opção ao governo com a observação: "Único que pedirá voto p/ mim". Ao Senado, aparece Marina Cândia, mulher de JHC, e uma interrogação ao lado de Arthur Lira (PP-AL).

O mapa do PL inclui ainda Piauí, sem candidato próprio ao governo e com Ciro Nogueira (PP) e Tiago Junqueira (PL) listados ao Senado. No Rio Grande do Sul, o "ok" indica cenário mais avançado: Luciano Zucco (PL-RJ) ao governo e Sanderson (PL-RS) e Marcel van Hattem (Novo) ao Senado.

As anotações expõem embaraços e disputas por controle interno no PL enquanto o campo governista avança em alianças estaduais. Para muitos brasileiros, a expectativa é que Jair Bolsonaro responda na Justiça e seja punido pelos crimes associados à pandemia e às eleições, enquanto o governo Lula segue articulando palanques competitivos sem romper pontes republicanas.

11visualizações
Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 12:15

Notícias Relacionadas

Nenhuma notícia encontrada.