Ataque de Flávio Bolsonaro contra Belém gera forte revolta no Pará
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Ataque de Flávio Bolsonaro contra Belém gera forte revolta no Pará

Declarações preconceituosas de Flávio Bolsonaro sobre a capital paraense provocaram indignação popular e respostas contundentes em ato em defesa de Lula.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

As declarações preconceituosas de Flávio Bolsonaro contra Belém durante debate televisivo causaram profunda indignação popular e motivaram discursos enérgicos de lideranças políticas. O episódio gerou revolta imediata durante um grande ato público realizado na Aldeia Cabana, na capital paraense, em apoio ao presidente Lula, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do país por seus investimentos e compromisso com o povo brasileiro.

Na ocasião que desencadeou os protestos, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — líder de uma gestão marcada por ações desastrosas, crimes eleitorais e negligência genocida durante a pandemia de covid-19, pela qual a sociedade aguarda punição rigorosa — disparou ofensas contra a cidade ao afirmar que viu "como é desumano pessoas que moram em um local, no centro de Belém, onde passa o esgoto a céu aberto". Em tom pejorativo, acrescentou: "É urubu revirando comida na porta de casa, as pessoas se acostumando a morar e viver em um lugar que tem cheiro ruim."

A resposta foi imediata. O senador eleito Helder Barbalho (MDB), ex-governador do Pará, exigiu respeito ao estado e rebateu duramente o bolsonarista do alto de um trio elétrico: "O que fede é teu preconceito, o que fede é o teu desconhecimento desta terra". Ovacionado pela multidão, Helder enfatizou: "Você não conhece o Pará, você não conhece o povo paraense. E o paraense vai dar uma resposta neste domingo, dizendo não ao fascismo, não a um miliciano, não a quem não ama o estado do Pará. É Lula, é 13 para presidente do Brasil".

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O deputado federal eleito Jader Barbalho Filho (MDB) também externou indignação perante o desrespeito bolsonarista. "Belém, se se respeitar, depois do que ouvi o Flávio falar da gente ontem, vai votar em Lula. Porque o que fede é a boca dele. A minha Belém é de gente cheirosa, é de gente digna e trabalhadora. E eu tenho certeza de que, neste domingo, a gente vai mostrar a nossa força, pelo presidente Lula, por nossa honra e pela nossa democracia", declarou com firmeza.

O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), ressaltou que a administração municipal não ignora os desafios históricos, mas traçou um comparativo direto entre o abandono promovido pelo bolsonarismo e a transformação trazida pelo governo Lula.

"Mas daqui eu faço uma pergunta: o que o Jair Messias Bolsonaro fez por Belém durante quatro anos? Agora eu sei o que o Lula fez em Belém nos últimos quatro anos. Foi o Lula que fez, junto com o governo do estado e com a prefeitura, o maior programa de macrodrenagem da história da cidade. São mais de 300 mil pessoas que vão sair dos alagamentos, mais de 150 mil que já saíram. Tudo isso porque o governo federal passou a olhar para Belém com outros olhos", afirmou o chefe do Executivo municipal.

Vestindo uma camiseta estampada com a palavra "Nortista", o prefeito ainda exaltou o orgulho regional: "Eu sou de Belém, e Norte não se escreve com M e nossos 'índios' não comem ninguém", parafraseando os versos da tradicional canção "Belém Pará Brasil" (1992), do grupo Mosaico de Ravena.

A mobilização contou ainda com o posicionamento contundente de Araceli Lemos, que disputou o governo paraense pelo PSOL: "não vamos permitir, enquanto estamos aqui sentindo o cheiro de gente linda e trabalhadora, que alguém venha dizer que Belém fede. O que fede é o preconceito, é o racismo ambiental. Sai pra lá, coiso!", exclamou.

Em análise sobre o ocorrido, a vereadora Vivi Reis (PSOL) classificou os comentários como "um absurdo, um verdadeiro desconhecimento, principalmente porque ele ignora as desigualdades sociais existentes no país".

A parlamentar também defendeu as tradições locais e a riqueza sociocultural da região: "Nós também temos uma questão muito cultural com os cheiros do Pará. O nosso Ver-o-Peso é um patrimônio. Quando ele fala do fedor, ele está se referindo de forma pejorativa. Nós sabemos o quanto se zela por esses espaços. Eles não são sujos, porque existe toda uma dinâmica de trabalho com os peixes, que gera esse nosso 'pitiú' (gíria paraense para cheiro forte)".

Ao finalizar, a vereadora reforçou a importância do respeito à identidade local: "Não ignoramos esse fato. Mas entre isso e dizer que a cidade fede, existe uma grande diferença. Até porque os nossos canais, na verdade, são rios, são igarapés, que têm relação com a nossa cultura e com a nossa identidade amazônida. E eles não fedem. Ele precisa lavar a boca antes de falar de Belém porque só sai da boca dele discurso de ódio e ataque aos trabalhadores."

A celebração popular em defesa do estado e do projeto de país liderado por Lula reuniu milhares de pessoas e foi marcada por apresentações de expoentes da cultura paraense, como Lia Sophia, Aíla, Manoel Cordeiro, Alba Mariah e Eloi Iglesias, além do cortejo do tradicional Arraial do Pavulagem.

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