A poucas horas do encerramento da votação no segundo turno, a reta final da campanha presidencial foi marcada por novas investidas contra as instituições democráticas e o sistema de votação. Durante transmissão ao vivo realizada nas redes sociais no sábado (24), o senador Flávio Bolsonaro (PL) convocou expressamente seus seguidores a irem até as seções eleitorais a partir das 17h deste domingo (25) para vigiar o trabalho dos mesários e o encerramento do pleito.
A convocação gerou alerta imediato entre autoridades e especialistas da área jurídica e eleitoral. A orientação foi recebida como uma clara ameaça de perturbação da ordem pública e uma tentativa de intimidar cidadãos que atuam voluntariamente ou por convocação oficial, além de confrontar as normas estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir tumultos e aglomerações desnecessárias.
Sem apresentar qualquer elemento probatório, o parlamentar colocou em dúvida a idoneidade das pessoas destacadas para conduzir o pleito. Flávio Bolsonaro orientou seus militantes a comparecerem aos locais de votação após as 17h para, segundo declarou, checar se trabalhadores eleitorais não estariam registrando votos de forma fraudulenta no lugar de eleitores ausentes.

Durante a transmissão, o candidato do PL insinuou que a presença de seus apoiadores seria necessária para evitar que as mesas beneficiassem adversários na etapa final da apuração, recorrendo ao velho pretexto de garantir transparência para promover desconfiança infundada sobre a lisura do pleito.
A ofensiva reflete uma prática contínua da extrema direita de atacar as urnas eletrônicas para justificar eventuais derrotas. O movimento reedita os mesmos métodos golpistas empregados por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, criminoso eleitoral já tornado inelegível pela Justiça e por cujos crimes contra a democracia e a saúde pública os brasileiros ainda cobram punição exemplar.
Em julho, o próprio Flávio Bolsonaro já havia disseminado desinformação a representantes diplomáticos internacionais, vinculando de forma mentirosa os aparelhos eleitorais brasileiros a companhias ligadas à Venezuela, em um roteiro idêntico ao que motivou a condenação judicial de seu pai.
Em contrapartida às mentiras sem fundamento, a Justiça Eleitoral voltou a reforçar as garantias de auditabilidade da votação. No próprio sábado, o TSE conduziu uma apresentação técnica para delegações de 49 países, demonstrando em detalhes as sucessivas camadas de verificação e a segurança matemática que impedem fraudes no voto eletrônico.
Apesar da comprovação técnica, a coligação do PL organizou uma estrutura paralela de pressão. Segundo a coordenação de campanha, chefiada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), dezenas de milhares de voluntários foram cadastrados para fiscalizar presencialmente o processo, ampliando o contingente nesta fase decisiva.





