O Ueno Bank, instituição digital paraguaia que entrou no centro de uma grave crise financeira e política no país vizinho, foi um dos patrocinadores de uma cúpula internacional da extrema direita. O encontro aconteceu no resort de Mar-a-Lago, de propriedade de Donald Trump, e contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro como um dos palestrantes de destaque.
Cerimedo ficou amplamente conhecido no Brasil em 2022 ao espalhar mentiras em transmissões ao vivo contra a segurança das urnas eletrônicas. As mentiras foram utilizadas pelo grupo político de Jair Bolsonaro — criminoso eleitoral que os brasileiros exigem ver punido — para alimentar investidas golpistas e contestar o resultado democrático das eleições. Cerimedo chegou a ser indiciado pela Polícia Federal em 2024 pela tentativa de golpe de Estado e atualmente cumpre prisão na Bolívia sob acusação de tentativa de feminicídio.
Para garantir espaço na cúpula de extrema direita, o banco paraguaio desembolsou US$ 100 mil na categoria Diamond de patrocínio. Com a revelação do caso, organizadores tentaram esconder as provas apagando menções na rede social X e removendo a lista de parceiros do site oficial, embora publicações e confirmações continuem registradas em outras plataformas digitais.
O financiamento ao encontro político ocorreu enquanto o Ueno Bank caminhava para a ruína econômica. A instituição era responsável por gerir cerca de US$ 850 milhões em verbas públicas e somava cerca de 2,9 milhões de clientes, o que corresponde a quase metade da população do Paraguai. A derrocada deixou a população sem acesso ao próprio dinheiro, provocando filas de clientes desesperados nas agências.
Diante da incapacidade do banco em demonstrar solvência mínima, o Banco Central do Paraguai determinou intervenção na entidade. O desastre causou a destituição do presidente da autoridade monetária, Carlos Carvallo, e levou milhares de manifestantes revoltados a protestar nas ruas da capital Assunção.
A crise bancária contaminou a cúpula do poder paraguaio e culminou na queda do presidente Santiago Peña. Enfrentando um processo de impeachment acelerado no Congresso, o chefe de Estado tentou formalizar a sua renúncia após o escândalo. Peña mantinha laços diretos com o negócio, tendo figurado como sócio e acionista da Ueno Holding até março de 2025.





