Eleita aos 21 anos com mais de 524 mil votos em Minas Gerais, a deputada federal Ana Elisa (PT) denunciou publicamente as recorrentes e violentas ameaças de morte que tem enfrentado. A gravidade dos ataques obrigou a parlamentar a solicitar escolta policial para preservar sua segurança física.
A resposta da deputada ocorreu após mentiras propagadas pela influenciadora bolsonarista Natássia Chamelete nas redes sociais. A criadora de conteúdo, que reúne fotos ao lado de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusou falsamente a petista de ser "contra a polícia" e de ter solicitado segurança armada apenas por vaidade.
Para demonstrar o risco real que corre diariamente, Ana Elisa divulgou uma mensagem enviada por um remetente que se identifica como Pedro. O texto continha ameaças diretas de violência extrema, estupro e assassinato com teor explicitamente racista, afirmando que o ataque ocorreria "em um espaço de 48 horas".

"As minhas mãos estão trêmulas de antecipação à medida que imagino espalhar as tuas pernas largas de cor preta sobre o chão da cozinha, onde eu vou estuprá-la. Repetidamente até os teus olhos se voltarem para trás da caveira. Garantindo que cada centímetro da tua pele negra sirva o que é ter sido propriedade do monstro que despreza tudo o que há de negro em ti. Mereces essa destruição, lenta e agonizante, porque tens a audácia de representar filhotes de macaco no parlamento, em vez de simplesmente servi-las. Uma vez que tenha terminado de dilacerar as tuas entranhas, o que levará horas, se deixar verdadeiramente desfrutar te ver encolher sobre o meu peso, finalmente decidirei se acabar com o teu sofrimento imediatamente ou prolongá-lo, apenas para ouvir-te gemer uma última vez antes de empurrar uma faca profundamente entre as tuas costelas", diz o e-mail lido pela deputada.
"Esse é o e-mail mais leve que eu recebo. está aqui o título, está aí o e-mail, quem tiver dúvida, quem achar que eu estou mentindo", pontuou Ana Elisa, relatando que a vigilância começou antes mesmo da onda de desinformação orquestrada por apoiadores do ex-mandatário nas redes.
A deputada enfatizou a postura histórica de seu partido e desmentiu as acusações sobre seu posicionamento em relação à segurança pública: "Eu nunca disse em nenhum lugar que eu sou contra policiamento. Eu sou contra a violência policial, que é uma coisa completamente distinta. Aliás, nenhum governo do PT é contra o policiamento. Porque foi num governo do PT que a Guarda Civil teve o direito de andar armada, na presidenta Dilma Rousseff, basta vocês procurarem".
Ana Elisa também lamentou a postura irresponsável da influenciadora bolsonarista diante de um quadro tão grave: "Você, enquanto mulher, mesmo aparentemente tendo uma opinião política divergente da minha, eu não desejo que você um dia tenha uma escolta na porta da sua casa esperando você sair. Eu não desejo que você tenha um dia na porta da sua casa uma filha sua dizendo que tá sendo ameaçada. Eu não desejo que sua mãe passe por isso. Eu não desejo que sua filha passe por isso, eu não desejo que você passe por isso, porque eu estou passando, aos 21 anos. Eu sei de verdade o que é ter medo de morrer se eu sair na rua".
Por fim, a parlamentar destacou o impacto do ódio alimentado pelo bolsonarismo em sua vida pessoal e a perda de sua rotina: "A vontade de ser famoso, de ganhar like, de aparecer na internet não pode ser maior do que a existência do outro. E você acha mesmo que eu queria uma escolta para chamar de minha? Você acha que eu queria uma escolta para chamar de minha com 20 anos? Você jura que você acha que eu queria uma escolta para chamar de minha? Não, eu queria ter liberdade. Agora, que é uma coisa que eu não tenho, que eu perdi. Eu adoraria ter liberdade. Não tenho mais. Isso é o que eu queria para chamar de minha: liberdade".





