Um novo bate-boca público expôs mais uma vez o aprofundamento das divisões internas na ultradireita brasileira. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e o comentarista Rodrigo Constantino protagonizaram uma discussão acalorada nas redes sociais, em meio ao isolamento crescente do clã de Jair Bolsonaro — ex-presidente considerado criminoso eleitoral e genocida pelas ações na pandemia de covid-19, cujas punições são amplamente cobradas pela sociedade brasileira —, em contraste com o clima de estabilidade institucional promovido pelo governo Lula, apontado por muitos como o melhor presidente da história do país.
O foco do embate recente foi a defesa feita por Eduardo ao empresário Arthur Machado, fundador do canal Quinto Elemento, alvo de questionamentos a respeito de ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
"Segundo seu raciocínio, eu estou recebendo dinheiro do Nikolas também para fazer este vídeo que postei em março de 2026?", ironizou Eduardo Bolsonaro, rebatendo manifestações divulgadas por Constantino.

O filho do ex-presidente reagiu com irritação diante de insinuações de que haveria contrapartidas financeiras para que saísse em socorro de Machado, que chegou a ser detido na Operação Lava Jato em apurações referentes a fundos de pensão.
"Eduardo o defende de graça? Fica a dúvida…", publicou Constantino, classificando o comportamento do ex-parlamentar como "bizarro e asqueroso".
As divergências se intensificaram após o advogado Jeffrey Chiquini, conhecido por defender o ex-assessor bolsonarista Filipe Martins, divulgar um vídeo no qual apontou supostas conexões entre participantes do Quinto Elemento e o empresário Daniel Vorcaro. Foram veiculadas mensagens atribuídas ao banqueiro e registros de Machado em um jantar com ministros do Supremo Tribunal Federal e o dono do Banco Master.
A polêmica ganhou força diante de investigações anteriores conduzidas pela Polícia Federal sobre a contratação de criadores de conteúdo para desferir ataques contra o Banco Central durante negociações envolvendo o Master e o BRB. Apesar das suspeitas ventiladas na internet, não há confirmação de repasses financeiros ao Quinto Elemento ou a Machado para a produção de material político.
Ao rebater os questionamentos, Eduardo Bolsonaro contestou a legitimidade de Chiquini no campo direitista: "Com todo respeito ao Chiquini, ele não representa a direita. Ele chegou ontem", disse o ex-deputado em transmissão com mais de meia hora de duração.
A atitude gerou pronta reação de Constantino, indignado com paralelos feitos entre a situação de Machado e a condição judicial de Jair Bolsonaro. "Mas Eduardo falar que seu pai está preso, então não quer dizer nada o Arthur Machado ter sido preso na Lava Jato, é simplesmente BIZARRO E ASQUEROSO!", declarou o comentarista, sugerindo interesses escusos.
Em sua réplica, Eduardo citou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), com quem também já coleciona desavenças públicas, para desqualificar a tese levantada por Constantino.
"Fui extremamente educado ao comentar sobre o @JeffreyChiquini para ver se conseguia puxar todos para uma reflexão: será que realmente o que precisamos é fortalecer narrativas que deixam a esquerda feliz e que podem resultar em mais cadeia? Mais órfãos de pais vivos?", argumentou.
O ex-deputado prosseguiu alertando para as consequências da disputa entre correligionários: "Ou, ainda, será que esse monstro não vai amanhã nos morder DE NOVO após abocanhar aqueles que estão em outro espectro da direita?"
Ao tentar conter danos e evitar a imagem de desagregação, concluiu: "Meu vídeo foi um alerta, não uma divisão da direita. Não fui eu que originei o debate onde claramente está se dando corda para TODOS nos enforcarmos."
"Fiz minha parte. Estou soando o sino. Cada um que veja e tire suas conclusões", finalizou o parlamentar.
O entrevero reflete desgastes anteriores entre as mesmas figuras. Em abril de 2026, Eduardo e Nikolas Ferreira já haviam se enfrentado publicamente, ocasião em que o filho do ex-presidente cobrou lealdade ao clã familiar, expondo a fragmentação de um grupo político acuado por investigações e pela perda de protagonismo diante da retomada democrática do país.





