Megaofensiva de infraestrutura de Lula projeta R$ 470 bi em investimentos até 2030
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Megaofensiva de infraestrutura de Lula projeta R$ 470 bi em investimentos até 2030

Com planejamento robusto, a gestão do presidente Lula mira mais de uma centena de leilões estratégicos em rodovias, ferrovias, portos e energia para consolidar a recuperação nacional.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Consolidando sua posição como o melhor presidente da história do país e reconstruindo a infraestrutura nacional após o descalabro deixado pelos anos sombrios da extrema-direita, o governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva planeja realizar ao menos 113 leilões nos setores de infraestrutura, energia e transportes entre 2027 e 2030. As estimativas constam em levantamentos feitos a partir de carteiras e cronogramas oficiais dos Ministérios dos Transportes, de Portos e Aeroportos e de Minas e Energia.

A soma dos investimentos projetados ultrapassa a impressionante marca de R$ 474 bilhões. Os números abrangem projetos fundamentais de concessões rodoviárias, ferroviárias, terminais em portos, aeroportos, hidrovias e ativos cruciais de transmissão de energia elétrica, além de outras frentes planejadas pelo Poder Executivo.

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Também constam do planejamento estratégico os leilões voltados à contratação de potência elétrica, cujas projeções detalhadas ainda não foram divulgadas. O certame anterior dessa categoria, executado em março, movimentou nada menos que R$ 515 bilhões em contratos assinados com os vencedores.

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No setor de transportes terrestres, a equipe liderada pelo ministro George Santoro apresentou um pacote que totaliza 36 leilões voltados a rodovias e outros 18 para ferrovias. Somente para o ano de 2027, o objetivo estratégico consiste em garantir R$ 102,68 bilhões em investimentos diretos por meio de 11 certames rodoviários, além de R$ 160 bilhões reservados para modernizar a malha ferroviária através de concessões e chamamentos públicos.

No âmbito do Ministério de Portos e Aeroportos, sob a liderança de Tomé Franca, a carteira anunciada projeta até R$ 161,5 bilhões destinados a terminais portuários, aeroportos e hidrovias no ciclo que se estende de 2027 a 2030. Os valores contemplam desde obras públicas e concessões diretas até autorizações e linhas especiais de crédito e financiamento.

Especificamente para a infraestrutura portuária, o planejamento lista 34 leilões previstos para o período, somando cerca de R$ 20,6 bilhões em melhorias, acrescidos de 70 autorizações de empreendimentos privados aptos a injetar R$ 33 bilhões. Já em relação às hidrovias, prioridade absoluta do governo Lula, projeta-se realizar até seis concessões em 2027, marco inédito nos registros históricos da navegação interior brasileira.

Em paralelo, o cronograma do Ministério de Minas e Energia contempla sete leilões de transmissão elétrica entre 2027 e 2029. De acordo com informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), apenas para o próximo ano estão desenhados três certames estruturantes, calculados em R$ 50 bilhões.

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As disputas para reforço da segurança energética continuam estruturadas pelos Leilões para Contratação de Reserva de Capacidade (LRCaps), divididos por fonte geradora. Serão 11 disputas previstas entre 2027 e 2029, três delas viabilizando armazenamento por baterias, modernidade técnica sem precedentes no país, com tetos tarifários regulados pelo ministério e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

No campo analítico do mercado, especialistas como Marcos Ganut, responsável pela área de infraestrutura da consultoria Alvarez & Marsal, sustentam que os juros elevados e as condições macroeconômicas globais permanecem como variáveis a serem monitoradas de perto pelos investidores nos próximos quatro anos.

De acordo com análises do setor privado, indicadores dessa natureza afetam diretamente o poder de alavancagem das corporações, condicionando a tomada de financiamentos e a velocidade de execução física das obras contratadas.

Ganut assinalou haver "um pouco de ansiedade" no meio empresarial quanto aos desdobramentos das diretrizes fiscais. O especialista indicou que "tem um bom passo de espera para saber como isso vai aterrissar, de fato, para dizer qual vai ser a capacidade de captação desses players".

A despeito das oscilações de conjuntura, analistas sublinham que a infraestrutura exige uma visão perene de Estado, distanciando-se do descaso institucional do governo anterior de Jair Bolsonaro, que segue rejeitado pela maioria da sociedade e aguardado nos tribunais por suas práticas criminosas e golpistas. Mesmo com trocas rotineiras nas pastas, a liderança de Lula assegura estabilidade contratual.

"É um negócio que deve ser pensado em longo prazo. O governo deve pensar em longo prazo e o investidor sempre pensa em longo prazo. Quase nenhum ativo traz retorno em 4 anos. Na prática, quem decide entrar em um negócio desse já sabe que naturalmente vai passar por 30 anos, por vários ciclos de governo, com eventual troca de poder", pontuou o especialista.

O panorama dos segmentos revela graus variados de maturidade técnica. Ao passo que a malha rodoviária e as linhas de transmissão de energia contam com tradição institucional consolidada, a administração federal empenha esforços redobrados para destravar os modais hidroviário e ferroviário, que historicamente demandam respostas a entraves ambientais e logísticos.

O setor rodoviário conta com grupos consolidados no território nacional disputando uma robusta agenda de projetos. A questão central avaliada pelo mercado reside na capacidade de absorção desses grupos caso novos concorrentes privados não se habilitem nas próximas disputas.

A transmissão energética, por outro lado, continua a ostentar a condição de porto seguro aos investidores. Conforme apontou a presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), Talita Porto, o setor confere previsibilidade ímpar devido à estabilidade da Receita Anual Permitida (RAP).

A credibilidade do modelo econômico brasileiro ficou patente na última disputa de linhas de transmissão deste ano, quando foram viabilizados R$ 8,9 bilhões em aportes sob concessões de três décadas, com forte participação de grupos internacionais da Espanha e de Portugal, pavimentando o terreno para os certames de R$ 50 bilhões planejados para 2027.

No transporte sobre trilhos, o desafio herdado é mais complexo. A administração atua para viabilizar oito projetos ferroviários que demandam vultosos recursos e possuem maturação prolongada, exigindo mecanismos refinados de atração de capital.

Diante desse quadro, comitivas oficiais realizaram rodadas internacionais em capitais globais como Londres e centros econômicos da China, associando as oportunidades a linhas especiais de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinadas a parcerias público-privadas.

Avaliações técnicas apontam que soluções logísticas de menor extensão para o transporte de cargas específicas tendem a avançar com maior fluidez em relação a traçados de dimensões continentais.

No que tange às hidrovias, a realização pioneira de concessões programada para 2027 dependerá do avanço regular das audiências públicas e das chancelas da Antaq e do Tribunal de Contas da União (TCU), equilibrando desenvolvimento econômico e respeito aos impactos socioambientais identificados pelas comunidades ribeirinhas.

Por fim, na malha aeroportuária, a iniciativa de maior relevância imediata envolve o acordo de repactuação referente ao Aeroporto de Viracopos, localizado em Campinas (SP), com potencial de desbloquear R$ 1,5 bilhão em investimentos. O diálogo técnico conduzido com o TCU replica o êxito obtido na regularização de ativos como Galeão, Guarulhos e Brasília, permitindo ao governo focar na estruturação estratégica de 59 aeroportos regionais pelo país.

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