Aliados da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro devem tentar adiar a votação ou esvaziar o plenário do Senado nesta terça-feira (6), quando está previsto o início das discussões sobre a proposta que acaba com a escala 6x1.
Rogério Marinho, senador pelo PL do Rio Grande do Norte, líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio, aparece na linha de frente da resistência. Em setembro, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, afirmou que Flávio e Marinho já haviam articulado uma mobilização para impedir o avanço da proposta.
A medida reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal, garante dois dias de descanso e proíbe a redução dos salários. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, onde Marinho votou contra.

Para ser aprovada no plenário, a proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação. A ausência de senadores pode impedir que o número mínimo necessário seja alcançado.
Entidades empresariais ligadas aos setores de comércio, serviços e indústria também passaram a pressionar parlamentares para que não compareçam à sessão. A estratégia busca retirar o número necessário de senadores para a votação.
O cenário político ficou mais difícil para os defensores da mudança após as eleições de domingo. O PL ampliou sua presença e deverá começar 2027 como a maior bancada do Senado. Marinho também é apontado como possível candidato à presidência da Casa.
O governo Lula mantém a defesa da redução da jornada e tenta levar o texto à votação ainda nesta semana. Sem um acordo para acelerar a análise, o Senado deverá realizar cinco sessões de discussão antes do primeiro turno.
A disputa sobre a escala 6x1 passou a integrar o confronto político do segundo turno. Enquanto o grupo de Flávio trabalha contra a mudança, a campanha de Lula apresenta a proposta como uma de suas principais medidas de proteção aos trabalhadores.
