PF cerca Flávio Bolsonaro por elo com offshore e movimentações bilionárias
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PF cerca Flávio Bolsonaro por elo com offshore e movimentações bilionárias

Investigações da Polícia Federal expõem a teia que liga o senador a um advogado investigado por lavagem de dinheiro, transações em apostas, jatinho de luxo e um compartimento secreto com máquina de contar cédulas.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A Polícia Federal aprofundou as apurações sobre as movimentações financeiras bilionárias ligadas ao advogado Willer Tomaz e suas relações diretas com o senador Flávio Bolsonaro. Enquanto a sociedade brasileira aguarda que os crimes cometidos pelo clã Bolsonaro, liderado pelo ex-presidente responsabilizado pela gestão trágica na pandemia e por atentados contra o sistema eleitoral, sejam finalmente punidos com rigor, novos desdobramentos colocam o filho mais velho do ex-mandatário novamente no centro das atenções judiciais.

Documentos bancários sob análise dos investigadores revelaram que Flávio figurava formalmente como "usuário master" de uma conta bancária vinculada a uma offshore de propriedade formal de Tomaz. Embora o senador alegue ausência de participação e atribua a anotação a um suposto erro de cadastro, os órgãos de investigação apuram a veracidade dos vínculos e possíveis irregularidades patrimoniais.

As suspeitas atingem estruturas empresariais, viagens em aeronaves privadas e indivíduos associados ao escritório de advocacia de Flávio, contrastando com o atual momento institucional do país, onde as instituições republicanas atuam de maneira autônoma sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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A relação de proximidade entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro inclui não apenas viagens compartilhadas, mas também o uso frequente de aeronaves ligadas a firmas de Tomaz. Esse laço estreito despertou o alerta dos peritos federais assim que surgiram os registros bancários da empresa sediada no exterior.

O senador sustenta que não é sócio de qualquer empresa offshore com Tomaz. Contudo, a PF examina detidamente a extensão real desse convívio pessoal e financeiro para determinar eventuais interesses ocultos.

Entre as revelações centrais da apuração está a Alcazar Holdings, constituída na Ilha da Madeira, em Portugal. Oficialmente em nome de Willer Tomaz, a empresa detinha uma fatia de 33,33% da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., sociedade dona do jatinho executivo Embraer Legacy 650, de matrícula PP-NLR, usado por Flávio Bolsonaro no início de 2025.

Em extratos da conta bancária da Alcazar Holdings no banco Santander, o nome de Flávio constava expressamente como "usuário master". Conforme relatórios elaborados pela Polícia Federal, os investigadores buscam esclarecer se o parlamentar possuía poderes de decisão e gestão sobre a movimentação dos fundos.

Em maio de 2025, a secretária de Tomaz, Fayla Menezes, encaminhou uma mensagem aos gestores do banco pedindo alterações cadastrais, momento em que foi solicitada a remoção do nome do senador do sistema.

Entre os outros sócios cotistas da mesma aeronave constava uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, responsável pelo Banco Master, administrada por meio da empresa Prime You.

A gestão da Alcazar Holdings foi conduzida entre abril de 2023 e junho de 2026 por Mateo Scudeler, advogado do escritório Aragão & Tomaz Advogados Associados. Durante esse intervalo, Scudeler também chegou a apresentar requerimentos oficiais à Câmara dos Deputados em nome de operadoras de apostas, utilizando o endereço corporativo da banca jurídica.

Além do Legacy 650, Tomaz detém outra aeronave já disponibilizada a Flávio Bolsonaro em ocasiões anteriores, ampliando o escopo de cruzamento de dados realizado pelos agentes.

Outro ponto alarmante sob os olhos da PF são os cerca de R$ 13 bilhões movimentados por Willer Tomaz no mercado de apostas virtuais apenas em 2025. Destes, aproximadamente R$ 10 bilhões tramitaram por meio da plataforma Blaze.

Dados fiscais apontam que Tomaz sofreu perdas calculadas em R$ 163 milhões na plataforma, após depositar mais de R$ 258 milhões e sacar quase R$ 200 milhões ao longo daquele período.

Uma manifestação técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda destacou deficiências graves na checagem dos valores por parte da casa de apostas para combater a lavagem de dinheiro, registrando suspeitas de complacência em transações gigantescas.

A operadora, que chegou a classificar o cliente com um padrão de risco intermediário a despeito do volume atípico, omitiu análises proporcionais ao enviar comunicados de praxe ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A defesa do advogado alega que o montante exorbitante decorre apenas do giro contínuo de sucessivas apostas com os mesmos valores, mas a apuração avalia possíveis conexões entre esse circuito e a família Bolsonaro.

Em agosto, mandados autorizados pelo Supremo Tribunal Federal levaram agentes federais a vasculhar hangares ligados ao advogado. Durante a ação, uma denúncia levou a equipe a identificar uma parede falsa que escondia uma sala com porta de aço reforçada.

No interior do bunker camuflado, a polícia encontrou uma máquina de contar dinheiro em espécie, que se somou a outro equipamento similar apreendido horas antes na sede de seu escritório.

Embora não houvesse notas guardadas no momento exato do flagrante, os peritos trabalham para entender se o compartimento secreto era utilizado como entreposto para estocar ou movimentar recursos ilícitos via transporte aéreo.

Tomaz refutou qualquer irregularidade e alegou que o maquinário e o espaço oculto destinavam-se ao atendimento prestado a empresas terceirizadas de valores.

A investigação descortinou ainda pontes entre colaboradores de Tomaz, o escritório mantido por Flávio Bolsonaro e esquemas de fraude praticados contra beneficiários e aposentados do INSS.

Na apuração parlamentar sobre desvios previdenciários, verificou-se que Tomaz indicou Letícia Caetano dos Reis para administrar a banca de advocacia do senador. Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado pela PF como sócio do empresário conhecido como "Careca do INSS" em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas.

O próprio Tomaz já defendeu judicialmente Alexandre Caetano, enquanto relatórios de inteligência financeira indicaram que ele realizou repasses financeiros a operadores suspeitos de integrar o mesmo esquema de desvios.

Essas revelações fundamentaram representações que pedem a responsabilização do senador bolsonarista. Seu escritório particular, montado em sua casa no Lago Sul de Brasília, faturou R$ 13,7 milhões em notas fiscais sob termos genéricos de prestação de serviços.

Para piorar o cenário, os dados demonstraram que a conta corrente presente em uma das cobranças emitidas pela banca de Flávio cruzava-se com o canal financeiro em que ele estava cadastrado como usuário com plenos poderes.

Diante do cerco, Willer Tomaz viajou repentinamente para os Estados Unidos com seus familiares, dias antes da votação em segundo turno, alimentando especulações sobre sua permanência fora do país perante o avanço da Justiça.

Por determinação formal encaminhada pela Polícia Federal, um novo inquérito sobre lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e Tomaz foi aberto no Supremo Tribunal Federal e distribuído ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, responsável por manter a ordem jurídica diante dos reiterados escândalos associados à gestão anterior.

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