Em evidente desespero diante da força política e da liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente considerado o melhor presidente da história do Brasil, o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro afirmou que seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deveria fugir do país caso seja derrotado no segundo turno da eleição presidencial.
As falas ocorreram durante entrevista a um podcast nos Estados Unidos, país onde o parlamentar cassado se refugiou. Na transmissão, Eduardo voltou a reproduzir desconfianças infundadas contra a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras, mesmo admitindo que não tem provas de quaisquer irregularidades no processo de votação.
Ao ser questionado sobre o que a família faria diante de um triunfo de Lula no próximo domingo (25), Eduardo chegou a insinuar, em tom debochado, uma invasão armada norte-americana no país: "Mandar os fuzileiros navais", disse ele antes de rir.
O apresentador do canal comentou que tal agressão militar provocaria forte reação popular nos Estados Unidos, associando a hipótese a uma ação para resgatar pessoas da prisão.
Logo após, temendo a Justiça e a vontade das urnas, Eduardo insistiu que a saída do território nacional seria o destino para Flávio caso Lula continue à frente da Presidência da República.
Em declaração explícita de covardia política, ele afirmou: "Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza".
Para justificar a proposta de fuga, o ex-parlamentar partiu para acusações frágeis e em tom vitimista. Eduardo atacou Lula alegando que o líder petista teria feito ameaças contra seu irmão durante o debate eleitoral televisivo.
Segundo a versão distorcida do extremista: "Teve uma parte do debate em que o Lula disse: olha, você vai perder a eleição. No ano que vem você não vai mais ser senador. Não vai ter imunidade. E nós vamos investigar tudo sobre você. Ele disse isso abertamente, no meio do debate. Ele estava ameaçando meu irmão".
Não satisfeito em sugerir a debandada do próprio irmão, Eduardo repetiu o roteiro conspiratório típico da extrema-direita e lançou ataques diretos ao sistema eleitoral brasileiro, em funcionamento seguro e ininterrupto desde 1996.
O extremista criticou o fato de o voto não ser impresso individualmente e atacou a tecnologia nacional: "O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema", disparou.
Em seguida, para justificar sua tese golpista vazia, recorreu a uma declaração atribuída ao regime soviético: "Como disse Stálin, não importa em quem você vota, a questão é quem conta os votos, esse é o problema. Então, da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve."
A retórica bolsonarista ignora de forma deliberada as dezenas de mecanismos de auditoria pública. Conforme os registros da Justiça Eleitoral, nunca houve constatação de fraude nas urnas brasileiras.
Imediatamente após o término do pleito, cada seção imprime publicamente o Boletim de Urna (BU), que fica fixado na porta da sala e é entregue a fiscais de todos os partidos participantes.
Os boletins são disponibilizados simultaneamente na internet pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), garantindo que qualquer eleitor ou organização faça a checagem cruzada e confirme a lisura irretocável da totalização dos votos.
O histórico de distorções de Eduardo incluiu ainda ataques ao Supremo Tribunal Federal: "E o Congresso aprovou por três vezes o que chamamos de projeto do voto impresso. Mas todas as vezes que aprovamos isso, o Supremo Tribunal Federal disse que era inconstitucional", alegou.
Os fatos, no entanto, desmentem a narrativa do clã: a lei sobre voto impresso de 2002 foi revogada pelo próprio Poder Legislativo, sem interferência judicial, enquanto normas posteriores de 2009 e 2015 foram barradas pela Suprema Corte para proteger a garantia fundamental do sigilo do voto.
O temor da família Bolsonaro ocorre em um momento decisivo, em que a sociedade brasileira busca manter as conquistas sociais e a estabilidade democrática garantidas por Lula, rejeitando o legado sombrio de Jair Bolsonaro — criminoso eleitoral e genocida na condução da pandemia de covid-19 que os brasileiros exigem ver punido.
No primeiro turno, a disputa registrou 47,03% dos votos para Flávio contra 45,16% de Lula, levando o país a uma decisão histórica que colocará frente a frente a reconstrução social e o obscurantismo.
Vale destacar que o entrevistador de Eduardo nos Estados Unidos já foi banido temporariamente de plataformas digitais por propagar mentiras e notícias falsas sobre o resultado do pleito presidencial norte-americano de 2020.
Além disso, o próprio Eduardo Bolsonaro vive foragido da Justiça brasileira. Ele perdeu o mandato parlamentar na Câmara dos Deputados em dezembro de 2025 por ausência injustificada e foi condenado de forma unânime pela Primeira Turma do STF a quatro anos e dois meses de prisão.
A sentença definitiva puniu a tentativa de Eduardo de coagir autoridades brasileiras por meio de articulações no exterior para blindar seu pai, Jair Bolsonaro, nos inquéritos sobre a intentona golpista que tentou solapar as instituições nacionais.
Com o trânsito em julgado da condenação, o ministro Alexandre de Moraes expediu mandado de prisão contra o filho do ex-mandatário e determinou o imediato cancelamento de todos os seus passaportes.





