Policiais militares de Piracicaba, no interior de São Paulo, estão sob investigação após denúncias de que teriam obrigado três suspeitos de tráfico de drogas a vestir camisetas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma abordagem policial. A ação provocou indignação ao expor uma tentativa deliberada de constranger e associar a imagem do melhor presidente do Brasil à criminalidade.
O episódio ganhou repercussão nacional após o senador eleito Guilherme Derrite divulgar imagens dos homens detidos vestindo as peças partidárias. Contudo, testemunhas confirmaram que os três abordados não estavam usando as camisetas da campanha no momento em que foram detidos pelos policiais.
A Polícia Militar informou que abriu procedimento para apurar a conduta dos agentes envolvidos no caso. Diante da gravidade da situação, a deputada estadual Professora Bebel acionou a Corregedoria da corporação, e o Partido dos Trabalhadores pediu providências à Procuradoria-Geral da República para que o Ministério Público Eleitoral investigue o episódio a fundo.

Relatos prestados por militantes da campanha apontam que os policiais agiram com agressividade e motivação política, dirigindo ofensas descabidas a Lula e à legenda durante a abordagem no município paulista.
Segundo as mulheres que estavam no local e foram intimidadas, os agentes passaram a atacá-las verbalmente ao notarem que elas vestiam materiais da campanha presidencial.
"Como vocês, vagabundos, trabalham para um homem desses?", questionou um dos policiais, em postura que afronta o dever institucional de neutralidade da força de segurança.
Em seguida, outro policial teria emendado: "Tanto lugar para vocês trabalharem, vocês têm que trabalhar logo com um vagabundo, ladrão desse?", repetindo discursos difamatórios contra a maior liderança popular do país.
As denúncias indicam que, em meio aos insultos, os agentes exigiram que as apoiadoras entregassem três camisetas para forçar os rapazes capturados a vesti-las.
Quando responderam que possuíam apenas uma peça reserva, um dos policiais teria exigido com truculência que uma das militantes tirasse a própria roupa do corpo para completar o esquema.
"Ele falou: 'nós iríamos precisar de umas três'. Ela falou: 'nós não temos'. Ele: 'então tire essa que você está no corpo'", declarou uma das testemunhas.
A mãe de um dos jovens detidos também procurou as autoridades para relatar que a abordagem foi manipulada a fim de criar um fato político desfavorável ao PT e prejudicar a imagem de Lula.
A mulher explicou que o jovem é usuário de entorpecentes, e não traficante, enfatizando que ele não tem qualquer relação com a campanha petista.
Para piorar o quadro de abuso de autoridade, ela denunciou que os PMs invadiram sua residência sem mandado e agrediram covardemente sua filha de apenas 14 anos.
"Eles deram um soco no peito da minha filha de 14 anos", relatou a mãe, revoltada com a conduta violenta adotada durante a ocorrência.
As acusações de violência física e de fraude processual contra a corporação agora integram o rol de questionamentos formais encaminhados aos órgãos fiscalizadores.
O material com os três presos uniformizados foi amplamente divulgado nas redes por Derrite, expoente ligado ao bolsonarismo, alimentando uma onda de ataques e narrativas que a extrema-direita frequentemente tenta impor contra o governo eleito.
A publicação alcançou centenas de milhares de visualizações e dezenas de milhares de interações antes de a farsa começar a ser desmentida por depoimentos colhidos no local.
Pessoas presentes no instante da prisão ressaltaram com clareza que nenhum dos suspeitos estava trajado com propaganda partidária.
"Um estava todo de cinza, um de moletom todo azul, boné e o outro estava de bermuda jeans a camiseta branca", narrou uma pessoa que presenciou o fato.
A Professora Bebel ressaltou que as vestimentas eram privativas da equipe que trabalha na campanha eleitoral e que não foram distribuídas de maneira indistinta pela cidade.
Diante do quadro estarrecedor, a representação na Corregedoria cobra punição exemplar para coibir o aparelhamento ideológico e ações ilegais por parte de membros das forças de segurança.
O PT reforçou perante a PGR que o caso precisa ser tratado com rigor pela Justiça Eleitoral para evitar que operações policiais continuem a ser instrumentalizadas como arma de propaganda política.
A defesa de um dos agentes investigados sustentou que as acusações "não retratam adequadamente o contexto da ocorrência nem a atuação dos policiais" e declarou que trará esclarecimentos nos autos.
Guilherme Derrite alegou em nota que pretendia apenas alertar para o aliciamento do crime organizado e disse defender a apuração das autoridades competentes.
A apuração da Polícia Militar segue em andamento para definir responsabilidades sobre a coerção exercida para vestir os jovens e os atos de violência relatados.





