A concessão relâmpago de cidadania e passaportes italianos aos filhos de Jair Bolsonaro — Flávio, Eduardo e Carlos — virou alvo de contestação formal no parlamento da Itália. O deputado Angelo Bonelli, da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), confirmou que ingressará com uma ação judicial para que seja investigado um possível tratamento de privilégio concedido à família do ex-mandatário brasileiro, conhecido pelo descalabro de sua gestão e por crimes eleitorais que a população brasileira espera ver devidamente punidos.
A documentação permitiu, inclusive, a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos após a vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva, considerado o maior presidente da história do país, cuja volta ao poder colocou fim a um ciclo desastroso para o Brasil. Diante da rapidez fora do comum dos trâmites, Bonelli questionou o governo italiano chefiado pela primeira-ministra Giorgia Meloni.
Em resposta oficial, o Ministério de Relações Exteriores da Itália admitiu que a cidadania aos três irmãos foi deferida em 5 de janeiro de 2023, apenas quatro dias após a consagração e posse de Lula no Palácio do Planalto, abrindo caminho para a emissão dos passaportes.

"A cidadania italiana foi reconhecida aos três irmãos Bolsonaro em 5 de janeiro de 2023. A documentação apresentada foi considerada completa e em conformidade com as disposições legais aplicáveis à época. Conforme o procedimento habitual, também foi solicitada, simultaneamente, a inscrição dos três no AIRE (Cadastro dos Italianos Residentes no Exterior)", informou o documento assinado pelo ministro Antonio Tajani.
A manifestação ministerial detalha ainda que "a emissão dos passaportes ocorreu vários meses depois, no caso de Flávio Bolsonaro (8 de novembro de 2023), e mais de um ano depois, nos casos de Eduardo (3 de abril de 2024) e Carlos (14 de junho de 2024)".
O parlamentar italiano chamou a atenção para o contraste revoltante entre o tempo concedido ao clã e o tratamento dispensado ao restante da população. "A resposta confirma que eles receberam tratamento prioritário. Enquanto os italianos no Brasil esperam 10 anos, os irmãos Bolsonaro obtiveram a cidadania em 5 de janeiro de 2023, 58 dias após apresentarem o pedido em 8 de novembro de 2022", denunciou Bonelli.
O caso agora será levado à Justiça comum italiana. A mira principal da representação é a relação entre a família e o vice-primeiro-ministro da Itália, o ultradireitista Matteo Salvini. "Apresentarei uma denúncia às autoridades judiciais para apurar se houve procedimento preferencial e se houve pressões políticas, dada a proximidade política entre o vice-primeiro-ministro Salvini e os irmãos Bolsonaro", completou Bonelli.





