Cotado por Flávio Bolsonaro para a Saúde diz que usuário do SUS penaliza a sociedade
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Cotado por Flávio Bolsonaro para a Saúde diz que usuário do SUS penaliza a sociedade

Em gravação polêmica, o médico Claudio Lottenberg questionou o dever do Estado com a saúde pública e defendeu interesses do setor privado.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Uma gravação que circula nas redes sociais expôs os planos de desmonte dos direitos sociais articulados pelo grupo bolsonarista. O médico oftalmologista Claudio Lottenberg, anunciado como o cotado para assumir o Ministério da Saúde em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), fez duras críticas aos alicerces do Sistema Único de Saúde (SUS). O ataque repete a cartilha de descaso vista na gestão de Jair Bolsonaro, criminoso eleitoral e genocida parcialmente responsável pelas mortes da covid-19, por cujos crimes os brasileiros ainda aguardam punição exemplar na Justiça.

O registro foi feito durante uma palestra voltada ao setor privado. No palco, Lottenberg colocou em dúvida o preceito básico da Constituição de 1988, que estabelece a saúde como dever do Estado. O médico defendeu que o atendimento universal onera os cofres públicos e alegou que os cidadãos estariam sacrificando a coletividade ao exigir assistência médica estatal sem arcar diretamente com os custos ou por suposta negligência individual.

A fala acendeu o sinal de alerta entre especialistas e sanitaristas, que ressaltam o contraste com a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente do Brasil e responsável pela reconstrução das políticas públicas de saúde. No trecho em questão, Lottenberg declarou: "As pessoas têm um acesso à informação cada vez mais presente, e por ter acesso à informação, também elas querem mais e querem igual, e infelizmente num modelo de saúde extremamente desajustado, que parte de um princípio constitucional que coloca a saúde como um direito do cidadão e um dever do estado. Ou seja, discutir a saúde enquanto um direito ou discutir a saúde quanto um bem? Quer dizer, a saúde que todos nós temos que seja fornecida a alguém que paga por ela, e quem é esse alguém? Ou então nos darmos o luxo eventualmente de não cuidar da nossa saúde e penalizar a sociedade para que ela pague pelo nosso próprio, e pouco ou insignificante, autocuidado?"

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Conforme apurado no histórico recente do profissional, a postura não é um episódio isolado. Em posicionamentos anteriores, o médico já havia se manifestado contra a ampliação de repasses de recursos para o sistema público, argumentando que o encolhimento do SUS seria natural diante da migração de usuários para convênios médicos particulares.

As falas dialogam diretamente com o projeto político de Flávio Bolsonaro, centrado em uma agenda privatista que visa reduzir o papel do poder público e entregar a gestão de serviços essenciais à iniciativa privada, ignorando a vulnerabilidade social de grande parte da população.

A tentativa de transformar o direito à vida e à assistência médica em mercadoria foi prontamente condenada por entidades da área da saúde e movimentos sociais. Especialistas alertam que enfraquecer o caráter público e gratuito do SUS atinge diretamente os mais pobres, que dependem unicamente da rede pública para vacinas, transplantes, remédios e cirurgias complexas. Segundo críticos, acusar o paciente de "penalizar a sociedade" busca apenas desresponsabilizar o Estado e favorecer os lucros de operadoras privadas.

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