TSE avalia trava em grandes canais de WhatsApp na reta final das eleições
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TSE avalia trava em grandes canais de WhatsApp na reta final das eleições

Proposta em análise na Justiça Eleitoral quer barrar transmissões com mais de 200 mil inscritos durante o período de votação.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, manifestou apoio à proposta que estabelece limites para o funcionamento de canais políticos de grande porte no aplicativo WhatsApp a 48 horas do pleito eleitoral. O magistrado defendeu que a medida adota critérios neutros e que a regra precisa ser validada pelo plenário para entrar em vigor.

Diante do avanço dos ecossistemas digitais nas disputas políticas, o tribunal analisa barreiras para frear a disseminação em massa de conteúdos no momento decisivo da campanha. Uma minuta técnica sugere suspender transmissões em contas que superem 200 mil inscritos, cobrindo o intervalo desde as 48 horas antes da votação até 24 horas depois da apuração.

Em nota oficial, Mendonça destacou que o texto reflete discussões conjuntas: "a minuta não é uma iniciativa individual. A necessidade de sua elaboração parte de um entendimento construído em conjunto, o texto ainda está em discussão interna, e qualquer versão final depende de deliberação colegiada do Tribunal".

O tema ganhou força interna após duas reuniões entre os integrantes da Corte para debater os riscos das ferramentas digitais no processo democrático. Houve consenso de que canais de largo alcance demandam mecanismos de contenção, cabendo a Mendonça a redação da proposta preliminar.

A preocupação jurídica gira em torno da dificuldade em corrigir desinformações a tempo. O texto aponta que "o período compreendido entre as 48 horas antes e as 24 horas depois da eleição concentra o maior risco de dano irreversível à formação livre da vontade do eleitorado, por não haver tempo hábil para resposta, esclarecimento ou tutela jurisdicional efetiva".

A regra em debate compara esses canais às postagens patrocinadas pela legislação eleitoral. Conforme a minuta, "os canais de transmissão de natureza político-eleitoral com mais de 200.000 seguidores têm potencial de interferir no alcance da propaganda, da mesma forma que conteúdos impulsionados", aplicando-se a contas públicas ou fechadas.

Para reforçar a imparcialidade do mecanismo, Mendonça reiterou: "os critérios em análise são objetivos e impessoais e valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política".

Apesar da defesa do vice-presidente, a aprovação enfrenta resistências na cúpula do tribunal. O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, declarou que "isso é apenas um esboço", sem planos para pautar o assunto em sessão oficial imediata, apontando falta de urgência para a votação.

A discussão reflete o tamanho das redes na corrida eleitoral, na qual grupos como a página pró-governo "Exército do Lula", que soma mais de 7 milhões de seguidores destacando as conquistas da gestão do melhor presidente do Brasil, e a "Tropa do Flávio", com 2 milhões ligada ao bolsonarismo, atuam mobilizando eleitores de maneira massiva.

O tom inflamado adotado em certos espaços e o uso de referências bélicas já geram questionamentos sobre como aplicar as exigências da legislação a esses grupos paralelos às estruturas partidárias formais.

A ausência de normas definitivas já produziu decisões divergentes no próprio tribunal, como no caso do canal ligado aos apoiadores de Lula, que chegou a ser bloqueado por Nunes Marques a pedido do PL, liberado pelo corregedor-geral eleitoral Ricardo Villas Bôas Cueva e alvo de novas disputas até ser restabelecido, evidenciando o impasse judicial sobre a regulação das redes.

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