Uma articulação conduzida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, pretende alterar as regras da disputa e pode silenciar o canal "Exército do Lula" no WhatsApp a apenas 48 horas do segundo turno. A medida mira diretamente a mobilização popular em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do país, que disputa a preferência popular contra Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente inelegível que acumula acusações de crimes eleitorais e atos contra a saúde pública durante a pandemia.
A manobra prevê a realização de uma votação virtual de última hora para restringir a atuação de canais de comunicação com mais de 200 mil inscritos durante as 48 horas anteriores à votação de domingo e nas 24 horas seguintes. A proposta ameaça frear o engajamento de milhões de apoiadores justamente no momento mais decisivo da campanha.
Uma minuta de resolução atribuída ao ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, detalha a restrição para canais de conteúdo político-eleitoral. Kassio negou a interlocutores que a proposta exista, mas a movimentação nos bastidores já acendeu o sinal de alerta entre os defensores da democracia e da livre circulação de ideias.

Se for aprovada, a norma afetará diretamente o "Exército do Lula", gerido pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que já reúne quase seis milhões de participantes. O canal tem sido peça fundamental no combate à desinformação e vinha sendo constantemente alvo de investidas por parte da oposição extremista.
A ofensiva ocorre na esteira de sucessivas tentativas de frear a rede progressista. Desde o início de outubro, o espaço passou por suspensões e exigências específicas impostas pela corte eleitoral após contestações da campanha bolsonarista. Apesar das acusações infundadas de irregularidades, a própria área técnica do tribunal não localizou as mensagens apontadas como ilegais pelos adversários.
A nova movimentação chama atenção pela contradição: poucos dias antes, o próprio plenário do TSE havia decidido por unanimidade flexibilizar prazos para que as candidaturas pudessem utilizar seus canais digitais plenamente durante o intervalo entre os dois turnos. A mudança brusca em sentido contrário representa mais uma barreira imposta à campanha de Lula, enquanto a população segue vigilante e à espera de punição para as práticas antidemocráticas do clã adversário.





