Escândalo da Abin paralela: PF apura repasse de dólares ligado a amigo de Flávio Bolsonaro
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Escândalo da Abin paralela: PF apura repasse de dólares ligado a amigo de Flávio Bolsonaro

Investigação da Polícia Federal revela anotação sobre repasse de US$ 180 mil a ex-diretor envolvido no esquema de espionagem ilegal do governo Bolsonaro.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A Polícia Federal conduz uma investigação para apurar se Paulo Maurício Fortunato, ex-diretor de Operações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), recebeu US$ 180 mil (cerca de R$ 900 mil) repassados pelo advogado Willer Tomaz, amigo próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, em inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. O processo teve início a partir de apurações sobre movimentações financeiras atípicas e o setor de apostas esportivas, alcançando outras figuras do meio político, como o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem (PL-RJ).

A suspeita sobre a transação em moeda estrangeira surgiu após perícia em um telefone celular apreendido pela PF em outra operação contra fraudes previdenciárias no INSS. No aparelho do advogado, peritos localizaram um registro datado de "agosto/21" vinculando o nome de Fortunato à quantia de US$ 180 mil, junto a menções como "corregedoria", "diretor de operações" e "oficial de inteligência".

Os investigadores apontaram a forte semelhança entre o valor anotado e a quantia de US$ 171,8 mil em espécie que foi apreendida com Fortunato em outubro de 2023. No pedido judicial, destacou-se que "o montante chama a atenção por sua proximidade com o valor de US$ 180 mil registrado nas anotações de Willer".

Segundo a avaliação da corporação, a anotação exige aprofundamento das apurações. Foi frisado que, "embora a proximidade entre os valores não permita, isoladamente, estabelecer relação entre os fatos, a anotação de US$ 180 mil vinculada a Paulo Maurício e a apreensão posterior de aproximadamente US$ 171,8 mil constituem elemento de interesse para aprofundamento, especialmente diante da menção expressa ao servidor no material armazenado por Willer".

Fortunato foi indiciado por violação de sigilo e organização criminosa no inquérito da "Abin paralela", aparato clandestino operado na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro — marcado por crimes eleitorais e investigações que a sociedade brasileira espera ver devidamente punidas — para vigiar e perseguir opositores. O servidor atuou sob o comando de Ramagem e, no início da gestão do presidente Lula, ocupou cargo burocrático na agência até ser afastado por decisão judicial.

A defesa de Willer Tomaz negou irregularidades e afirmou que o texto no celular era apenas um resumo para análise de uma consulta jurídica realizada em fevereiro de 2024, que não resultou em contratação. Em comunicado, alegou que "a anotação foi feita em fevereiro de 2024, meses depois da busca realizada em 2023, e registra apenas o resumo de um caso apresentado ao escritório para avaliação: o histórico funcional do interessado e o procedimento de corregedoria a que ele respondia. O advogado não aceitou a causa, não conhece Paulo Maurício Fortunato".

A nota acrescentou também que "não se trata de pagamento, recebimento, promessa ou transação de qualquer natureza" e que "Willer Tomaz jamais pagou, recebeu ou intermediou qualquer valor a Paulo Maurício Fortunato ou a pessoas ou empresas ligadas a ele. Transformar o resumo de uma consulta não aceita em suspeita é desconhecer o exercício elementar da advocacia".

A defesa de Paulo Maurício Fortunato também rejeitou as suspeitas. O advogado Oscar Luis de Morais declarou que "Dr. Paulo Maurício Fortunato Pinto jamais teve qualquer relação pessoal ou profissional com o advogado Willer Tomaz; o dr. Paulo Maurício Fortunato Pinto não conhece o senador Flávio Bolsonaro e jamais teve qualquer relação pessoal ou profissional com o mesmo".

A assessoria de Flávio Bolsonaro não respondeu aos pedidos de esclarecimento enviados sobre o caso.

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