A crise política no Paraguai ganhou novos desdobramentos dramáticos após o Ministério Público apresentar uma acusação formal contra o ex-presidente Santiago Peña pelo envolvimento direto no colapso do Banco Ueno.

Peña foi transferido durante a madrugada para uma base militar de elite localizada em Assunção, a capital do país.
A princípio, a Justiça havia determinado a detenção domiciliar na noite de sexta-feira (6), mas a transferência para a unidade militar ocorreu por motivos de segurança.
A mudança de local foi motivada por intensos protestos em frente à residência do político, onde manifestantes entraram em confronto direto com as forças de segurança, deixando um policial ferido.
O tumulto começou logo após a tensa sessão no Senado que resultou na cassação definitiva do mandato presidencial de Peña.
Na quinta-feira (5), Peña tentou antecipar sua saída apresentando uma carta de renúncia na tentativa de conquistar imunidade parlamentar como senador vitalício, manobra que foi categoricamente rejeitada pelo Congresso paraguaio.
O impeachment acabou sendo aprovado por unanimidade pelos 44 senadores que participaram da votação na sexta-feira.
Na manhã deste sábado (7), Santiago Peña compareceu pessoalmente para prestar depoimento perante a Procuradoria-Geral do Ministério Público.
Poucas horas depois, os promotores formalizaram a denúncia pelos crimes de abuso de confiança e administração em benefício próprio, exigindo a prisão preventiva imediata do ex-mandatário.
Apesar das graves acusações e do pedido de encarceramento, Santiago Peña segue afirmando que é inocente de todas as irregularidades apontadas.
O caso está diretamente ligado ao colapso da instituição financeira digital Ueno. Até o ano passado, Peña constava como sócio do grupo controlador do banco e indicou o ex-diretor da instituição, Carlos Carvallo, para comandar o Banco Central do Paraguai. Carvallo também acabou sendo detido pelas autoridades.
O Banco Ueno enfrentava forte crise financeira e teve intervenção decretada pela autoridade monetária paraguaia, congelando o saldo de correntistas. Nas ruas do país, manifestantes protestam exigindo a devolução imediata do dinheiro retido.
Com a saída do governante, Pedro Allana, também do Partido Colorado e até então vice-presidente, tomou posse como novo chefe do Poder Executivo e iniciou reuniões ministeriais logo nas primeiras horas do dia.
Pouco depois da apresentação da denúncia, a Justiça do Paraguai acatou integralmente a manifestação dos promotores e converteu a detenção de Santiago Peña em prisão preventiva.





