O empresário Elon Musk sofreu um prejuízo histórico e perdeu cerca de US$ 41,8 bilhões (R$ 229 bilhões) em seu patrimônio em apenas 24 horas, logo após a derrota acachapante dos republicanos nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. O resultado das urnas gerou pânico imediato entre os investidores ligados aos negócios do bilionário, que havia investido pesadamente cerca de US$ 446 milhões nas campanhas conservadoras e agora terá de prestar contas a um Congresso de maioria democrata. As ações da Tesla e da SpaceX registraram quedas superiores a 5%.
De acordo com levantamentos sobre a fortuna global dos bilionários, o patrimônio de Musk despencou de US$ 901 bilhões (R$ 4,94 trilhões) para cerca de US$ 859 bilhões (R$ 4,71 trilhões). Os papéis da SpaceX sofreram um tombo de 5,22%, equivalendo a uma perda de US$ 7,33 (R$ 40,15) por ação. O mesmo movimento de queda atingiu a Tesla, refletindo o temor do mercado financeiro quanto ao impacto da nova correlação de forças políticas em Washington sobre os privilégios das empresas do magnata.
O revés financeiro está atrelado diretamente ao colossal volume de recursos despejado por Musk na tentativa de salvar a bancada republicana. Ele se consolidou como o maior doador individual da legenda nas eleições de 2026, transferindo quantias expressivas para candidatos e organizações da direita norte-americana.
Apenas para o comitê político America PAC, Musk destinou US$ 216 milhões com o objetivo de financiar candidaturas conservadoras ao Senado e à Câmara dos Representantes. No entanto, a montanha de dinheiro não foi suficiente para frear a vitória democrata nas duas Casas legislativas.
O golpe mais duro contra os interesses do empresário ocorreu no Texas, estado estratégico onde estão sediadas operações cruciais da Tesla e da SpaceX. A candidata democrata Gina Hinojosa superou o republicano Greg Abbott e venceu a disputa pelo governo estadual, encerrando mais de 30 anos de hegemonia republicana ininterrupta. Na disputa ao Senado pelo mesmo estado, James Talarico derrotou o direitista Ken Paxton.
A ascensão de Hinojosa impõe uma barreira imediata aos planos de expansão predatória de Musk. Durante a corrida eleitoral, a governadora eleita questionou frontalmente as isenções fiscais bilionárias concedidas ao empresário, buscou na Justiça o acesso a conversas mantidas entre ele e Abbott e defendeu limites rigorosos à instalação de novos centros de processamento de dados.
A nova governadora denunciou reiteradamente os privilégios concedidos aos megaprojetos de tecnologia sem contrapartida social, sustentando que novas obras devem ser paralisadas até a criação de leis que protejam as comunidades locais. Sobre os limites que imporá ao poder econômico, ela disparou: "Deixe-me ser clara: o Texas não está à venda".
O posicionamento firme da gestão que assume o Texas acendeu o sinal de alerta no mercado, já que a infraestrutura tecnológica do bilionário depende totalmente de licenciamentos ambientais, facilidades governamentais e um volume monumental de energia para sustentar os centros de dados.
Paralelamente, a retomada do Congresso pelos democratas abre caminho para uma devassa sobre os negócios de Musk. Parlamentares já articulam investigações profundas a respeito de contratos públicos milionários, subsídios federais concedidos às suas companhias e a controversa atuação da rede Starlink na Ucrânia.
Outro alvo iminente de escrutínio público é a passagem de Musk pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), período em que promoveu um agressivo desmonte de serviços essenciais e demissões em massa de servidores da administração federal.
O deputado Robert Garcia, cotado para presidir a Comissão de Fiscalização da Câmara dos Representantes, resumiu o tom das cobranças que virão ao alertar publicamente os aliados do ex-governo republicano na noite da apuração: "Procurem um advogado".
A mudança de comando parlamentar ameaça paralisar autorizações governamentais pendentes, emperrar a renovação de contratos com o Estado e deflagrar audiências públicas para expor a relação promíscua entre recursos públicos federais e as empresas privadas do empresário.
No centro do debate econômico e ambiental está a inteligência artificial. Os chamados data centers, vitais para o processamento de grandes volumes de informações, transformaram-se em focos de conflito devido ao esgotamento de recursos e à explosão das contas de luz locais.
Diante do consumo desenfreado de energia dessas megaestruturas, parlamentares defendem regras duras de contenção e o congelamento imediato de novas licenças para evitar danos ambientais e o encarecimento das tarifas para a população trabalhadora.
Especialistas do setor financeiro destacam que o resultado eleitoral deve frear o avanço desregulado das gigantes da tecnologia. Conforme analisou Jake Dollarhide, presidente-executivo da Longbow Asset Management, "uma vitória esmagadora dos democratas no Congresso pressionaria o setor de tecnologia e, potencialmente, geraria pressão regulatória sobre tudo relacionado à IA, além de possivelmente desacelerar os números de crescimento alucinantes que vemos diariamente e muitas vezes consideramos naturais".
O analista financeiro também apontou que a dinheirama derramada por Musk foi incapaz de mascarar a crise social sentida pelo povo americano: "Musk foi a última cartada dos republicanos na reta final. Infelizmente, sua grande injeção de dinheiro para apoiar os Estados republicanos não conseguiu superar o aumento nas contas de serviços públicos, nos preços dos mantimentos e nos preços da gasolina".
Mesmo encurralado pela derrota política e pela rejeição popular, o bilionário tenta manter a aposta na expansão acelerada da inteligência artificial terrestre e no polêmico plano de colocar centros de dados na órbita da Terra pela SpaceX.
Na véspera do pleito, Musk havia usado sua plataforma, o X, para pedir votos em massa para a extrema-direita, mas apagou o post após a confirmação da derrota. Ele reagiu ao fiasco com ironias e voltou a sugerir a fuga regulatória por meio de data centers espaciais.
A meta de sua empresa previa elevar a capacidade operacional para 3 gigawatts até o fim do ano e atingir 13 gigawatts no ciclo seguinte. Contudo, o bloqueio iminente de licenças estatais e a rigorosa fiscalização prometida pela nova maioria democrata tendem a paralisar o cronograma e aprofundar a crise financeira de seus negócios.





