Disputa aberta: Mascaro vê virada de Lula e teto de Flávio
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Disputa aberta: Mascaro vê virada de Lula e teto de Flávio

Professor avalia que Lula ainda pode ampliar sua votação, enquanto Flávio Bolsonaro teria pouco espaço para crescer no segundo turno.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Após o primeiro turno das eleições presidenciais, o professor, jurista e filósofo do Direito Alysson Leandro Mascaro afirmou que a disputa pelo Palácio do Planalto continua aberta. Para ele, a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva ainda tem potencial para conquistar mais votos, enquanto a candidatura de Flávio Bolsonaro parece próxima de seu limite eleitoral.

"É possível sim lutar por essa virada por razões de ordem subjetiva e de ordem objetiva", avaliou Mascaro. "No elemento objetivo, é possível compreendermos que o bolsonarismo chegou antes ao seu teto, restando pouco para expandir. Já as forças progressistas ainda não extraíram até o limite todo o seu potencial de votos."

Mascaro considera necessário separar decisões táticas de movimentos estratégicos. As primeiras respondem a pesquisas e polêmicas imediatas, enquanto os segundos envolvem mudanças políticas, culturais e ideológicas construídas ao longo de vários anos.

Ao analisar o avanço conservador no Congresso e nos governos estaduais, o professor recorreu ao conceito de "bloco histórico", formulado pelo pensador marxista Antonio Gramsci. Segundo ele, grupos distintos da direita brasileira conseguiram formar uma articulação eleitoral coesa.

Essa união reuniria eleitores mobilizados por receios culturais e religiosos, grupos que exercem controle territorial por meio de lideranças locais, clientelismo e milícias, além de setores econômicos tradicionais contrários a avanços trabalhistas e políticas de distribuição de renda.

De acordo com Mascaro, essa articulação fortalece uma militância que vota com o "peito inflado" e ajuda a extrema-direita a crescer nas etapas finais das eleições.

O jurista também avaliou que parte do campo progressista se afastou das preocupações cotidianas dos trabalhadores ao priorizar disputas de linguagem e pautas individuais de comportamento. Para ele, a insegurança vivida nas periferias precisa ocupar um espaço maior no debate público.

"O afeto do povo que tem o celular roubado ou que não pode andar na rua às 20h30 não é discutir desconstrução estética. Esse povo quer ordem. E ordem, na esquerda, é a firmeza do velho Lula sindicalista e a seriedade de figuras como Geraldo Alckmin", pontuou.

Mascaro defendeu que o campo progressista mantenha a proteção das populações vulneráveis, mas apresente um programa capaz de alcançar a maioria da sociedade. A campanha, segundo ele, deve enfrentar as provocações do bolsonarismo com propostas para segurança pública, direitos materiais e estabilidade social.

Na economia, o professor criticou os juros elevados, o aperto no orçamento e a desaceleração do crescimento em um momento decisivo do calendário eleitoral. Na avaliação dele, essas escolhas reduziram o entusiasmo de parte da população.

"Ano de eleição é ano de destravar a economia, de colocar o país para crescer a passos largos. Manter uma agenda excessivamente subordinada à Faria Lima e a juros extorsivos custa caro em termos de votos. O povo decide no caixa do supermercado, não em editoriais de jornais de negócios."

Sobre as especulações envolvendo Geraldo Alckmin na condução da economia em um eventual novo mandato, Mascaro afirmou que a experiência de um político acostumado a ouvir a população pode ser mais útil do que decisões tomadas apenas com base em planilhas.

"Alckmin é um político que passou a vida precisando de votos e ouvindo o cidadão comum na padaria. Às vezes, um político tradicional tem muito mais noção de que a taxa de juros e o arrocho estão sufocando a vida da população do que economistas que só olham planilhas para atender aos bancos."

Ao tratar da possibilidade de virada, Mascaro citou a diferença entre "esperança abstrata" e "esperança concreta", formulada pelo filósofo marxista Ernst Bloch. Para ele, uma campanha baseada apenas no medo da volta do autoritarismo não é suficiente para mobilizar a maioria.

"Esperança concreta é dizer ao povo onde estarão os empregos, quais estradas serão rasgadas ligando as regiões do Brasil, como vamos reindustrializar e defender nossa soberania contra os interesses estrangeiros. O patriota de verdade é quem ama e constrói o próprio país, e não quem bate continência para bandeiras externas. A virada se faz oferecendo futuro, trabalho e grandeza à maioria trabalhadora", finalizou Mascaro.

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