Acusado de manter ligação com o Primeiro Comando da Capital, o PCC, Ney Santos, do Republicanos, foi eleito deputado federal por São Paulo no domingo, 4 de outubro, com 118.566 votos. A vaga, porém, ainda pode ser vetada pelo Tribunal Superior Eleitoral, o TSE.

O ex-prefeito de Embu das Artes teve a candidatura autorizada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, o TRE-SP, por 3 votos a 2, em 15 de setembro. O Ministério Público Eleitoral havia pedido a impugnação do registro com base em decisões que permitem rejeitar candidaturas de pessoas vinculadas a organizações criminosas, mesmo sem condenação penal definitiva.
Claudinei Alves dos Santos, conhecido como Ney Santos, é réu por comando de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ele também cumpriu pena por abuso de poder econômico e foi condenado em primeira instância por porte de arma de fogo com numeração raspada.
O recurso contra a candidatura foi protocolado no TSE em 23 de setembro de 2026. O processo aguarda a análise e o julgamento do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques.
Se o TSE aceitar o recurso do Ministério Público Eleitoral, o registro da candidatura será rejeitado de forma retroativa. Nesse caso, Ney Santos perderá o mandato conquistado nas urnas.
Ney Santos já foi condenado por formação de quadrilha e ficou dois anos preso por roubo a banco. A promotoria declarou: "Após sua saída do sistema prisional, os órgãos policiais e o Ministério Público continuaram a receber recorrentemente informações e notícias de que Claudinei é membro do PCC e que sua fortuna é constituída essencialmente de dinheiro proveniente do tráfico de drogas".
O ex-prefeito mantém influência política na Grande São Paulo. Enquanto esteve inelegível, até 2024, apoiou a eleição de Hugo Prado, do Republicanos, para a Prefeitura de Embu das Artes, com 88 mil votos. Sua irmã, Ely Santos, também do Republicanos, foi eleita primeira suplente de deputada federal em 2022, assumiu uma cadeira na Câmara em 2024 e conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo em 2026.
Após o resultado da eleição, Ney Santos comemorou nas redes sociais. "Deus é especialista em milagres e cumpre o que promete", publicou.
No julgamento realizado antes da eleição, os juízes Regis de Castillo e Maria Cláudia Bedotti acompanharam o voto da relatora Danyelle Galvão. Os desembargadores Mairan Maia Júnior e Roberto Maia votaram contra a candidatura, enquanto a magistrada Fernanda Massad declarou suspeição.
A relatora afirmou que a inelegibilidade decorrente da condenação por abuso de poder econômico terminou em 2024. Também considerou que a acusação por comando de organização criminosa ainda está em fase de instrução.





